Caroline Kumahara: “Parei de estudar para me dedicar ao esporte”

Aos 16 anos, tenista de mesa que representará o Brasil nas Olimpíadas fala ao iG sobre a rotina de treino de sete horas diárias que a impede de sair, namorar e até de ir à escola

Nathalia Ilovatte |

Divulgação/ CBTM
"Tem muita gente apostando em mim", diz Caroline sobre a pressão de representar o Brasil nas Olimpíadas

Daqui a um mês, Caroline Kumahara, de 16 anos, estará a 6.800 quilômetros de distância dos pais, representando o Brasil na maior e mais antiga competição esportiva do mundo. Não é uma responsabilidade para qualquer adolescente, mas a jovem tenista de mesa que disputará as Olimpíadas de Londres não parece preocupada. “Eu sofro muita pressão, mas não sinto que isso é negativo”, conta. “Acho que tem muita gente apostando em mim e se eu ficar pensando muito nisso não vou conseguir fazer nada”.

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Caroline e a dupla Jéssica Yamada nos Jogos Sulamericanos de 2010

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Caroline joga tênis de mesa há sete anos, e descobriu que levava jeito para o esporte por acaso, brincando na área de lazer do prédio em São Bernardo do Campo (SP), onde mora até hoje. Com a ajuda de treinadores procurados pelo pai, ela começou a participar de torneios, entrou para a Seleção Brasileira, conquistou medalha de ouro no Torneio Latino-Americano de Tênis de Mesa, representou o Brasil nos Jogos Panamericanos e conseguiu uma vaga nas Olimpíadas. “Eu estava bem confiante no meu preparo. Durante o jogo não fiquei pensando na vaga, mas na tática e em cada ponto que eu tinha que fazer”, comentou, sobre o torneio pré-olímpico.

"O ESPORTE TEM QUE SER AGORA"

Para chegar lá, a atleta precisou não só de talento e autoconfiança, mas de dedicação. “Treino de segunda a sexta das 9 da manhã às 11h45. Volto para casa, almoço, descanso e treino por mais quatro horas”, conta. Depois dessa jornada, ela ainda cuida do preparo físico. “À noite eu faço musculação e às vezes corro”, diz a jovem, que aos sábados ainda faz treino particular.

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Caroline com as amigas: "Sinto falta dos campeonatos nacionais"

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Com tantas atividades, fica difícil imaginar onde entra o colégio nessa rotina. E não entra mesmo. As viagens e treinos fizeram a atleta abrir mão dos estudos para focar no tênis de mesa. “Parei de estudar no ano passado, na metade do segundo ano, para me dedicar 100% aos Jogos Panamericanos”, revela. A escolha, segundo a atleta, foi bem pensada. “Foi uma decisão que tomei com consciência. O esporte tem que ser agora, não dá para esperar”, afirma ela, que contou com o apoio dos pais.

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"Eu estava bem confiante sobre o meu preparo", disse, sobre o torneio pré-olímpico

E, claro, se na semana não sobra tempo nem para estudar, baladas estão fora de cogitação. “Nunca gostei de festa, balada, e nunca saí muito com amigas. Só sinto falta dos campeonatos nacionais, para onde vão as pessoas que eu conheço”, afirma Caroline, que também não tem autorização do pai e do treinador para namorar.

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A adolescente admite que está abdicando de uma parte importante da adolescência. “Sim, eu deixo de lado mesmo. Mas eu gosto muito do que eu faço. Treinar é algo que me dá prazer, mais do que eu teria saindo”, diz.

Agora, Caroline se concentra nos treinos e competições. E ainda não decidiu quando voltará ao colégio. “Se a minha carreira for bem, o estudo vai ficando para depois”, afirma.

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