Garotas 'moleques' mostram que nem toda menina precisa gostar de se arrumar

Por Natália Eiras |

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Conheça três garotas que, assim como Giane, personagem de Isabelle Drummond em "Sangue Bom", preferem jogar bola a ficar horas lendo blogs de maquiagem

Edu Cesar
Camila Guidi, Juliana Bechelli e Karen Jonz são como Giane, personagem de Isabelle Drummond em "Sangue Bom"

Toda menina precisa gostar de se maquiar e de usar vestido? Definitivamente não. Pode ser que antigamente, no tempo em que saias longas e armadas eram as vestimentas obrigatórias das garotas, esse tipo de pensamento fosse uma regra. Hoje em dia, preferir um par de tênis em vez de salto alto não faz de ninguém menos menina.

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Edu Cesar
Namorada de Lucas Silveira, da banda Fresno, a skatista já ouviu a pergunta "Quem é o homem e a mulher da relação?"

Giane, personagem de Isabelle Drummond em “Sangue Bom”, novela das 7 da TV Globo, é o tipo de garota que a nossa mãe chama de moleca: desencanada, a jovem é fã de futebol e adora usar camisas xadrez e calça jeans. Apesar de não ser tipicamente feminina, ela tem dilemas próprios de meninas de sua idade, como, por exemplo, uma paixão não correspondida.

Na vida real, jovens que preferem andar de skate ou jogar futebol a ficar o dia todo lendo blogs de moda também mostram que dá, sim, para ralar o joelho na rua e, ao mesmo tempo, ter o lado “menininha”.

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Praticante de skate e de surf desde criança, a estudante de publicidade Camila Guidi, 22 anos, estranha quando usa maquiagem. “Acho que fico parecendo uma palhaça”, brinca. Alguns até podem achar que o gosto pelo rosto limpo pode dificultar na hora de arranjar um namorado, mas não foi um empecilho para Camila começar a namorar, há dois anos. Ou melhor: foi um diferencial, já que ela garante que o companheiro não gosta de vê-la com o rosto pintado. “Ele estranha, me acha mais bonita com a cara limpa”, ri.

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Juliana Bechelli, 20 anos, até passa um lápis e um blush para ir às aulas da faculdade de comunicação social, mas esse tipo de coisa perde a importância quando o assunto é futebol. “Jogo desde quando eu aprendi a andar”, fala a garota. Integrante do time da instituição em que estuda, a menina diz que nunca se interessou muito por se produzir, e por isso é comum ouvir a mãe pedindo para ela se arrumar um pouco mais. “Me produzo mais só em dia de casamento, mas ainda assim não do jeito que as outras garotas fazem”, diz. A mãe apela comparando seu estilo com o da irmã mais velha, que é bastante vaidosa. “Eu dou risada e digo que é problema dela”, responde Juliana, brincando.

Juliana, 20, joga futebol desde que se entende por gente. Foto: Edu CesarAtualmente, defende o time da faculdade em que estuda comunicação social. Foto: Edu CesarCamila, Juliana e Karen são desencanadas, mas têm dilemas como qualquer menina. Foto: Edu CesarKaren Jonz, 27, já foi confundida com um menino por usar calças e camiseta larga. Foto: Edu CesarCamila gosta de surfar e andar de skate. Em sua turma de amigos, precisa lembrar que é uma menina. Foto: Edu Cesar"Eles vêm brincando de se socar e eu preciso pedir para eles pegarem leve", conta. Foto: Edu CesarKaren conta que começou a gostar de maquiagem já mais velha, pois estava sempre andando de skate. Foto: Edu CesarEla é campeã mundial de skate e participou do X-Games Barcelona. Foto: Edu Cesar"Sempre gostei de brincadeira de correr", relembra a skatista. Foto: Edu CesarCamila ouve da mãe que precisa se arrumar mais, mas ela não liga. Foto: Edu CesarA garota aprendeu a andar de skate com o pai, que adora o fato de ela estar sempre em cima da prancha. Foto: Edu CesarJuliana sempre anda com os meninos e, por isso, precisa pedir para eles evitarem os assuntos masculinos. Foto: Edu Cesar'Já me perguntei porque eu não sou uma garota normal', conta Karen Jonz. Foto: Edu CesarAtualmente bem resolvida sobre sua personalidade, a garota assina linhas de roupas e acessórios da Element. Foto: Edu CesarAs garotas até se maquiam para ocasiões especiais, mas é bastante raro. Foto: Edu CesarJuliana diz que, normalmente, o pessoal acha legal o fato de ela jogar futebol. "Eles ficam impressionados", diz. Foto: Edu Cesar

Namorada de Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno, a skatista profissional e campeã mundial Karen Jonz, 27, diz que seu “banheiro é um parque de diversões” de tantos produtos de beleza, mas que só começou a se interessar por eles depois de uma certa idade. “Antes eu estava sempre muito ocupada praticando esportes e fazendo outras atividades”, afirma a garota.

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Praticante de skate e surf desde criança, Camila Guidi, 22, namora há dois anos e garante: "Ele me acha mais bonita sem maquiagem"

Apesar de estar se rendendo à maquiagem, o seu estilo de se vestir continua sendo bastante diferente do das outras garotas, com camisetas “de moleque”, como ela diz. O contraste entre as suas roupas, mais desencanadas, com as do namorado, mais estilosas, já provocou comentários maldosos. “Já perguntaram para mim quem era o homem e a mulher da relação”, declara. Situações como essas são lembradas pela esportista com bom humor. Mesmo confusões mais radicais, quando quase foi proibida de competir por conta de seu estilo, são motivo de riso. “Como eu usava calça larga, camiseta até o joelho e cabelo curtinho, me disseram que eu não podia participar de uma competição feminina porque eu era menino”, se diverte ela.

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Pelo fato de não gostar tanto de se arrumar e preferirem fazer “coisas de menino”, ter mais amigos homens é uma coisa natural para essas jovens. “Sempre gostei de brincadeira de correr, de bater”, conta Karen. Como costumava passar férias na praia, Camila cresceu no meio de um grupo de meninos e lembra que era comum eles se esquecerem de que ela é uma garota. “Eles começavam a se socar e vinham para cima de mim, aí eu tinha que gritar: ‘Gente, eu sou menina!’”, brinca. Juliana diz que nunca passou por esse tipo de situação, mas que já teve de pedir para os amigos pegarem leve nos assuntos masculinos. “Quando eles começam a dizer que tal garota é gostosa e tal", diz.

Às vezes batia uma angústia e eu me perguntava porque sou assim. É difícil, porque se você mudar por causa da opinião dos outros, pode se tornar uma pessoa frustrada." (Karen)

Karen conta que uma vez seu melhor amigo, desconsiderando o fato de que ela é menina, a fez chorar. “Ele estava me ajudando a fazer uma manobra de skate e, como eu não acertava, ele começou a ser grosso, me chamar de ruim”, explica. “Eu estava de TPM, comecei a chorar e ele pediu desculpas. Ele ainda cobra bastante de mim, mas percebeu que há um limite”, conta a skatista.

Apesar de ser bem resolvida com sua personalidade, Karen acha que é normal, em um dado momento, uma garota se questionar sobre porque não é tão feminina quanto outras garotas. “Às vezes batia uma angústia e eu me perguntava porque sou assim”, fala. “É difícil, porque se você mudar por causa da opinião dos outros, pode se tornar uma pessoa frustrada, por não ouvir o seu chamado interior”, diz.

Abaixo a frustração! Não tem nada de errado em ser quem você é, por isso o melhor conselho a seguir é o bom e velho “seja você mesma”, mesmo que isso signifique que você nunca vai chegar perto de um estojo de maquiagem e que sua canela vai viver cheia de hematomas.

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