Comportamento

enhanced by Google
 

Namoro entre primos: pode ou não pode?

A paixão de Kátia por Theo em "Malhação" está causando confusão na família, mas o amor entre parentes não existe só na ficção

Nathalia Ilovatte, iG São Paulo | 20/07/2011 07:58

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Foto: Reprodução

Em "Malhação", Kátia se apaixona por Theo, mas a mãe os vê como irmãos

Em Malhação, a personagem Kátia, interpretada por Ully Lages, se apaixona por Théo (Ronny Kriwat), filho legítimo de sua mãe adotiva. Embora os dois não tenham sido criados juntos e só se conheceram na adolescência, para a mãe de ambos, a personagem Railda, Theo e Kátia são irmãos de verdade e a ideia de um relacionamento entre eles soa absurda.

Na vida real, uma história assim não é tão freqüente, mas os relacionamentos entre pessoas da mesma família existem. Os namoros familiares são até permitidos pela legislação quando acontecem entre primos.

A estudante Marina, de 14 anos, cresceu convivendo com o primo, um ano mais velho. Os dois faziam aulas de inglês juntos e, no final de 2010, foram viajar com a turma do curso. “Quando eu me dei conta, já estava ficando com ele”, conta, garantindo que até então nunca tinha prestado atenção no garoto.

Durante os cinco dias de viagem os primos ficaram juntos, mas na volta para a casa, o romance ficou em aberto. Ela gostou de ficar com o primo e ele também gostou do que aconteceu, "mas não deu para ficarmos novamente”, diz Marina, explicando que os dois só se encontraram nas reuniões de família.

Siga o iGirl no Twitter

Por enquanto, os pais e demais primos não sabem do rolo. “Até ficar sério, a gente vai esperar para contar. Mas acho que eles aceitam numa boa”, fala Marina, que diz ter se interessado pelo primo por ele ser “lindo e fofo”.

Para o psicólogo Fernando Elias José, a justificativa para a paixão é legítima. “O interesse de um jovem está muitas vezes acima de qualquer convenção social ou dificuldades reais genéticas familiares. O interesse ocorre por pessoas e não por situações de parentesco”, afirma.

Mas nem todos os adolescentes têm essa segurança quando cogitam contar sobre o romance para a família. A revisora Camila Téo, de 25 anos, é filha de pais primos, mas foi proibida pela mãe de se relacionar com alguém da família. “Fiquei com um primo quando tinha 17 anos, meus outros primos souberam e ameaçaram contar para a minha mãe, então achei melhor deixar essa história para lá e não criar conflito”, recorda.

Foto: Reprodução

A paixão de Kátia causa conflitos também com Lorelai, namorada do garoto

A proibição da mãe deve-se ao medo que ela sentiu quando estava grávida de Camila. “Nos anos 1980 não existiam tantos exames nem informações sobre a saúde do bebê, e minha mãe entrava em pânico quando pensava que eu poderia nascer com algum problema”, diz.

Segundo ela, outros parentes primos são casados, e a prática era até incentivada pela avó. “Ela dizia que era uma forma de manter a família unida e passar os costumes para frente”, conta. Mas um acontecimento fez com que todos resolvessem abandonar o hábito. “A família já tinha medo de alguém nascer com algum problema, mas depois que uma das filhas de uma tia nasceu sem braço, o medo aumentou”, explica.

Medo com motivo

De acordo com o médico especialista em reprodução humana Luiz Fernando Dale, há uma maior incidência de problemas genéticos em filhos de pais da mesma família, mas o parentesco não é determinante. "Uma pessoa pode ter uma anomalia em um dos cromossomos, mas quando se casa com alguém de outra família, a chance da outra ter também é muito remota e o erro genético fica recessivo", explica. "O erro é mais facilmente encontrado em um parente, mas se a família não tem nenhuma doença, a chance de a criança nascer com algum problema também é remota".

Para saber se há chances de um filho nascer com algum problema genético, é preciso procurar um especialista. "Quando um casal de primos nos procura, temos que buscar na história da família toda se existe algo e se os dois têm", afirma Dale.

Levando o romance em frente

Se você está apaixonada por um primo, ou se vocês estão namorando e não querem abdicar do romance, prepare-se para começar uma jornada de diálogos com a família, principalmente se ela reprovar o namoro. “Na maioria das famílias a rejeição será algo certo, em razão das convenções sociais e culturais de nossa sociedade”, diz o psicólogo Fernando Elias José. “A conversa sempre será bem-vinda nesses casos, pois a proibição somente afastará esse jovem da família e dificultará a exposição de todos os prós e contras de manter um relacionamento dessa maneira”, explica o especialista.

Depois de aprovado o romance, ainda é preciso colocar cada parente intrometido no devido lugar. Afinal de contas, cada um do casal terá como sogra, sogro e cunhados pessoas que o viram nascer e crescer e que sentem ter intimidade o bastante para opinar no que quiserem. Portanto, não tenha medo de avisar aos tios e primos quando estiverem sendo inconvenientes. “O fato de todos estarem na mesma família poderá ser um empecilho na relação. Por isso, o importante é conversar e estabelecer limites nas famílias”, diz Fernando.

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG

Ver de novo