Blogueiras de moda alternativa mostram que a nova tendência é ser você mesmo

Por Natália Eiras | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Fashionistas inspiradas pelo visual do gótico, punk ou grunge adaptam tendências da moda universal e montam looks cheios de estilo sem gastar muito

Edu Cesar
Lidia, Eliza, Jackeline e Talitah: tendências adaptadas ao estilo de cada uma

Em alguns lugares elas são consideradas estranhas. Muita gente torce o nariz, mas, mesmo usando os cabelos coloridos ou preto da cabeça aos pés, elas são it-girls de um jeito muito diferente do que o convencional. Mais importante do que seguir a capa da “Vogue” à risca, estas garotas preferem adaptar tendências para o seu jeito de se vestir, seja ele inspirado no gótico, no punk ou no grunge. Estes conceitos, antes considerados nichos, estão conquistando o mundo dos blogs de moda, mostrando que respeitar o próprio estilo está super em alta.

LEIA MAIS: 6 tendências dos anos 1920 para incorporar ao seu estilo
Divertidas e estilosas, leggings estampadas vêm para alegrar o inverno

Edu Cesar
"A gente olha para moda sem as imposições das revistas", diz Talitah Sampaio, do blog 'Nuas e Cruas'

“Está virando tendência ser você mesmo”, diz Talitah Sampaio, 28, dona do blog “Nuas e Cruas” e cabeça por trás do “Black Beats”, uma rede de sites alternativos que foi lançada na semana passada e que reúne cinco blogs com esta temática. “A gente olha a moda sem as imposições que as páginas e revistas atuais fazem, mas de uma forma que combine com você, que você gosta”, explica.

Siga o Twitter do iGirl

De cabelo rosa e um visual que mistura gothic lolita ao punk, a jovem estilista diz que não são apenas as meninas destas tribos que frequentam o seu blog. “Eu percebo que vem gente de vários estilos. Porque as pessoas admiram quem não liga para o que falam e se veste do jeito que quer”, explica a blogueira.

“Trevosa” desde pequena (“Eu ia de batom preto para escola aos 12 anos”, brinca), a comunicadora Lidia Zuin, 22, montou o “Fiercekrieg” mais para proteger os adeptos da subcultura gótica do que para falar sobre o visual dark. “Eu queria defender um estilo de vida, um comportamento, não muito pensando em moda”, explica.

E MAIS: Blusões de moletom saem da academia e se tornam item fashion

Os posts de “look do dia” e sobre peças de roupa vieram com o tempo. Outro incentivo foi a dificuldade de encontrar peças que se enquadrassem neste estilo nas lojas comuns. “Hoje em dia está mais fácil, porque está na moda usar roupas com caveira ou cruz, mas era difícil achar coisa preta legal”, diz.

"Fiz o blog para defender um estilo de vida, um estilo de pessoa", diz Lidia Zuin, criadora do 'Fiercekrieg'. Foto: Edu Cesar'Eu usava batom preto para ir para a escola', diz a jovem de 22 anos. Foto: Edu Cesar"Era muito difícil encontrar roupas pretas legais", conta a garota que está fazendo mestrado em comunicação. Foto: Edu Cesar"ÀS vezes eu xingo, às vezes eu fico triste", conta a garota sobre os comentários que ouve rua por causa de seu estilo. Foto: Edu CesarA garota é criadora do blog "Fiercekrieg", sobre moda dark. Foto: Edu CesarAlém de moda, ela escreve sobre música e filmes. Foto: Edu CesarTalitah Sampaio é a cabeça por trás do "Black Beats", rede de blogs alternativos. Foto: Edu CesarEstilista, a jovem de 28 anos tinha uma marca de roupas infantis alternativas, mas a fechou para se dedicar mais ao blog. Foto: Edu Cesar"Ser você mesmo está virando tendência", disse a blogueira ao iG. Foto: Edu CesarTalitah Sampaio é a criadora do blog 'Nuas e Cruas'. Foto: Edu CesarEla compra suas roupas em sites internacionais. Foto: Edu CesarEla costuma fazer um post por dia em seu blog. Foto: Edu CesarEliza Albuquerque tem 26 anos e é historiadora. Foto: Edu Cesar"Comecei o blog porque estava em crise com a minha faculdade e queria escrever sobre outra parte de mim", conta a blogueira. Foto: Edu Cesar"A gente que o pessoal está olhando", conta a garota. Foto: Edu CesarEla costuma ignorar os olhares. 'Mas isto não justifica o fato de outra pessoa ficar me julgando', conta. Foto: Edu CesarJackeline Illos, de 20 anos, é estudante de moda. Foto: Edu CesarEla criou o blog "Trashy Vogue" para escrever durante as férias do colégio, há três anos. Foto: Edu CesarTodo dia ela compartilha os seus looks com os seus seguidores no Instagram. Foto: Edu CesarTodos os visuais são feitos com roupas baratas ou de lojas populares. Foto: Edu Cesar

“Eu odeio grifes”
Além de defenderem os próprios estilos, esta nova leva de blogueira vai contra à ideia de que para se vestir bem é preciso gastar dinheiro. Enquanto as it-girls convencionais desembolsam R$ 10 mil em uma bolsa da Louis Vuitton, estas garotas preferem se vestir bem sem mexer muito no bolso. Para isso, recorrem às lojas populares ou importam roupas de sites internacionais que cobram até R$ 120 reais por peça.

Edu Cesar
"Eu odeio grifes. Não gasto muito dinheiros com roupas", fala Jackeline Illos, do "Trashy Vogue"

“Eu odeio grifes. Tenho raiva. Só compro roupas bem baratinhas, bem dispensáveis mesmo”, diz a estudante de moda Jacqueline Illos, 20, dona do blog “Trashy Vogue”, integrante do “Black Beats”. “Porque a moda gira muito e uma coisa que você está usando hoje, não vai usar amanhã, então não precisa ser coisa de qualidade”. A futura estilista deixa claro, no entanto, que vale investir em algumas peças universais. “Uma boa jaqueta de couro, por exemplo, eu acho legal, porque você vai vestir sempre.”

Curta o iGirl no Facebook

Talitah, por sua vez, baba em desfiles e editoriais de grife, mas acha meio “inútil” gastar tanto dinheiro em uma única roupa. “Há tantas outras coisas para se fazer com o valor de uma bolsa de marca”, diz a blogueira. Porém, até mesmo ela às vezes acaba gastando um pouco mais de dinheiro em uma peça que gosta muito. “Mas eu não consigo usar, fica lá de enfeite”, lamenta.

Já Lidia não vê problema em investir um pouco mais em uma boa peça sem cair no consumismo. “Eu prefiro comprar poucas boas peças que eu sei que vou usar, do que ter um monte de coisas baratas e que vão estragar rápido”, diz. “Só que, quando eu compro, eu uso a roupa até furar. Eu não tenho dó.”

E MAIS: Echarpes e lenços: os melhores amigos das fashionistas no outono

Estranhas no ninho
Enquanto blogueiras de moda como Lala Rouge batem cartão no bar Número, no bairro paulistano Jardins, estas fashionistas alternativas preferem frequentar os bares e baladas na Rua Augusta ou no centro de São Paulo. Mas, fora destes ambientes em que não há nenhum problema em ter o cabelo rosa ou usar meia-arrastão, elas atraem mais olhares do que gostariam.

Edu Cesar
"A gente percebe que as pessoas olham muito para a gente", conta Eliza Albuquerque, do blog "The Red Lil' Shoes"

Criadora do “The Red Lil’ Shoes”, a historiadora Eliza Albuquerque, 26, diz que a baixa estatura e a aparência de mais nova ajudam as pessoas a encararem quando passa calçando suas lita boots, modelo de sapato com salto e plataforma altíssimos, e vestido quadriculado.

“A gente percebe que o pessoal está olhando. Eu tenho cara de bobinha e isso dá trela para eles”, explica. O jeito, segundo ela, é ignorar, apesar de não curtir os olhares. “Acho importante tentar não ligar, mas isto não justifica uma pessoa se sentir no direito de te julgar”, conta.

Lidia fica pessoalmente ofendida quando ouve coisas desagradáveis de desconhecidos. “Às vezes eu xingo, mas às vezes eu fico triste”, conta. “Acontece de eu ter vontade de vestir uma coisa, mas não uso porque eu sei que vai chamar muita atenção”, confessa.

Jacqueline Illos prefere levar os comentários que ouve na rua na brincadeira e chega a respondê-los com bom humor. “A pessoa me zoa, vou lá e zoo de volta. Não levo no pessoal”, diz. Afinal de contas, o mais importante, antes de tudo, é ser você mesma.

CONTINUE LENDO: Garotas 'moleques': nem toda menina gosta de se arrumar
De luvas cor de rosa, meninas mostram no ringue que luta é coisa de mulher


Leia tudo sobre: estiloalternativomoda alternativablog

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas