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ntrar na faculdade significou, pelo menos para mim e para as minhas amigas, também se virar para arrumar dinheiro, sem a ajuda dos pais.
Eu, como a maioria, ataquei de professora particular de português à recepcionista de uma “clínica de olhos”. Mas uma de nossas amigas optou por algo muito mais gostoso: fazer bolos à Amor aos Pedaços para um restaurante perto de sua casa.
O sucesso no restaurante e entre as amigas foi o mesmo. Além dos bolos serem maravilhosos, sempre fiquei impressionada que, ao tirá-los do forno, sua cozinha também já estava impecável. Uma prática absurda para uma garota de 17 anos.
Na época, era engraçado ter aquela Nigella Lawson mirim entre as pretensas intelectuais da faculdade de jornalismo. E suas histórias com a casa e a cozinha iam tomando cada vez mais espaço. Quando estava deprimida ou nervosa com as provas, ela nos carregava para comprar latas de leite condensado no supermercado, “um santo calmante”. Nossas tardes de estudo eram regadas de queijo branco, café, sorvetes e bolos, que ela chamava de “coisas de meninas”. Sua primeira aquisição com o dinheiro gerado pelos bolos foi um ferro de passar roupa (?!?), que ficava guardado embaixo da cama, esperando ser usado quando finalmente ela conseguisse ter sua própria casa.
Mas a melhor história foi em um Dia dos Namorados. Nossa amiga chegou contando que o namorado havia dado uma dica sobre o que ela iria ganhar: uma coisa bege e brilhante. “Só pode ser uma batedeira”, disse, toda feliz.
Não era. Era uma carteira da Santa Marinella, na época, a coqueluxe das meninas patricinhas e decepção para sua nova dona quando abriu o pacote.
Isso foi há 15 anos. Só no último Natal é que ela finalmente realizou seu sonho de batedeira brilhante, igualzinha àquelas usadas nos programas de televisão.
Só faltava esse último passo. Porque, semana passada, minha amiga assumiu de uma vez a sua “deusa doméstica”:. lançou “Casa da Chris”, livro que reúne várias dessas histórias que eu presenciei nos últimos 15 anos e ainda outras que ela foi reunindo desde pequena .
Sempre chamamos a Chris de nossa Martha Stewart (que depois dos escândalos com a prisão, mudamos para nossa Nigella). E acho que ela tem razão quando diz logo nas primeiras páginas de seu livro que foi trilhando suas amigas a gostarem dos “afazeres de mulherzinha”.
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