Bebidas de Meninas

Alessandra Blanco :: 23.09.2004

Cosmopolitan

A

Além de tornar a nossa vida muito mais fashion, um dos melhores legados deixados por “Sex and the City” foi que poucas coisas podem ser tão divertidas quanto sair com as amigas para tomar bebidinhas e, consequentemente, logo depois, falar muito e todas ao mesmo tempo.
Uma das imagens mais legais que tenho dos anos 70 é daquelas mulheres “Sonia Braga”, com roupas “Dancin´Days” e um coquetel de frutas na mão. Meu tio namorava uma moça assim e eu achava o máximo.
Nos anos 80, coquetéis eram sinônimo de Cuba Libre e festinhas com luz negra. Nos anos 90, foi a vez do Prosecco e Espumantes. Não sei se isso pode ser uma regra geral, mas, pelo menos para mim e minhas amigas, os 00 “redescobriram” os coquetéis com um glamour anos 30.
Influenciadas por “Sex and The City”, começamos, claro, com os Cosmopolitans, com cranberry, vodca e cointreau. Além de ser uma espécie de personagem do meu seriado predileto, é também a favorita de Madonna, ou seja, a bebida com as credenciais certas para meninas. E ainda é docinha, cor-de-rosa, precisaria de muitas doses para deixar bêbada e vem naquele copo lindo em V. É também mais difícil de ser encontrada, devido ao suco de cranberry importado. Em São Paulo, a melhor é a do Ampgalaxy.
Na mesma linha de bebidas refrescantes, docinhas e com glamour, o Mojito vem em destaque. É uma das bebidas que Hemingway tomava em Cuba. Leva rum, hortelã, limão e água com gás. Vem num copão com muito gelo e é ótima para um almoço beemm demorado no verão. A do Pitanga, na Vila Madalena, em São Paulo, é das melhores.
Outra geladinha e ótima para um almoção ou um drinque de final de tarde é a margarita, bebidinha preferida de 9 entre 10 mulheres (segundo estatística do “Guia para Garotas”). Boa parte de histórias de porres femininos que eu conheço envolve margaritas e sua tequila.
Mais docinho e com ainda mais história é o Bellini, com espumante e suco de pêssego. Minha mãe costumava fazer uma versão abrasileirada dele no Natal. O Bellini foi criado em Veneza, na Itália, no Harry´s Bar, pelo mesmo homem que inventou o carpaccio (duas grandes contribuições para tornar nossa vida mais feliz!).
Visitei o Harry´s Bar uma vez, há alguns anos. Tomar um Bellini lá é muito mais do que sair para uma bebidinha. O bar fica bem no centro de Veneza, é feito todo em madeira antiga, completamente romântico. Ao pedir um Bellini, o garçom simpático coloca também na sua frente no balcão um pratinho com mini tostex. Foi uma das melhores combinações que já experimentei na vida. Em São Paulo, a Forneria San Paolo e o bar Astor fazem bons Bellinis.
Claro, no Brasil, não poderia faltar a caipirinha. Embora eu não ache exatamente uma bebida de meninas, as versões com saquê e morango ou caju ou mix de frutas fazem algum sucesso entre elas.. Mas também um é o suficiente para provocar alterações de estado perigosas.
Finalmente, o clássico (e também o meu preferido): o Dry Martini. É o drinque com o maior número de histórias e com as mais diferentes maneiras de ser feito. A história original dá conta de que o Dry Martini foi criado por um bartender chamado Martini di Arma Tigia, que trabalhava no Knickerbocker Hotel, em Nova York.  Seu Dry Martini era feito com gin e vermute dry (veja receita no vídeo).
Depois disso, a bebida favorita de Frank Sinatra sofreu dezenas de variações. O Dry Martini do cineasta catalão Luis Buñuel levava apenas gim, sem nem uma gota de vermute. 007 e o próprio Frank Sinatra gostavam da versão feita com vodca: o vodca martini. Tem ainda o “Dirty Martini” com o suco soltado pela azeitona.

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Tenho uma teoria de que o Dry Martini não é um coquetel para se experimentar antes dos 30 anos, quando ainda não sabemos dar valor a sabores que não são “docinhos”. Confesso que minhas duas primeiras tentativas foram bem difíceis. Mas, na terceira...
O barman que fez o vídeo ensinando a preparar coquetéis especialmente para o “Guia para Garotas” acha que Dry Martini não é uma bebida que agrade meninas. Eu discordo totalmente. Vale experimentar.

Veja vídeo ensinando a fazer coquetéis



Alessandra Blanco
É diretora de Conteúdo do iG