2005 será nosso

Alessandra Blanco :: 05.01.2005

Mulher maravilha

P

ode confessar: é impossível passar pelo final/início do ano sem dar aquela olhadinha nas previsões, sejam elas esotéricas ou vindas dos mais renomados especialistas que tentam apontar o que será “quente” no ano que chega.

E desta vez, adivinhe, o ano será das mulheres! Está lá nas previsões do babalorixá Pai Cido de Oxum, no site Delas, na capa do caderno “Ela” de “O Globo” e até no britânico “The Guardian”. Todos por motivos diferentes, mas isso não importa.

Pai Cido diz que por 2005 começar num sábado, dia das orixás Nana, Oxum, Yemanjá e Ewa, muita energia feminina vai estar no ar neste ano. O “Ela” fala também de uma divindade: Oxum, a Deusa do amor, orixá da água doce, que elegeu o sábado como seu dia e que deverá ser bastante reverenciada em 2005. Isso porque, segundo o que o pai-de-santo Augusto César informou ao jornal, Oxum “é mediadora, capaz de apaziguar as situações mais complexas. Protetora das mães, deusa do amor, ela é a mais bonita, a mais rica e uma das mais poderosas”. E, além de tudo, com todas essas credenciais, só pode ser a santa protetora do mundo fashion....

Ouvindo especialistas de outros campos de atividades, o jornal inglês “The Guardian” também tem toda a atenção voltada para as mulheres em 2005.

Primeiro, colocou o seriado “Desperate Housewives”, que estréia no Reino Unido nesta semana, como algo a ficar de olho neste ano. O jornal definiu o seriado como “Twin Peaks encontra Martha Stewart antes de sua queda e depois de Sex and the City”. Perfeito.

Depois, na sua lista de 20 grandes idéias para 2005, colocou em 12º lugar, a família ou o retorno da mãe _ “esqueça o Dia das Mães, 2005 será o ano das mães”. O motivo para isso é forte: apesar de nunca aparecer no jornal, quase metade das crianças com menos de 3 anos (45%) têm mães sem um emprego remunerado. Ou seja, donas-de-casa. Além disso, pesquisas recentes vêm mostrando a importância de ter pais presentes dentro de casa durante os primeiros anos de vida....

Tem mais: em 17º lugar, no quesito “Business”, vem uma teoria do consultor empresarial Juliet Erickson, de que quem quiser ter sucesso neste ano deverá praticar a técnica do “escutar com atenção”. Segundo ele, nossas vidas têm sido bombardeadas com um excesso de informação, boa parte inútil, então, as pessoas que irão influenciar nossos pensamentos e ações em 2005 são aquelas que irão se diferenciar por sua forma de se comunicar: ouvindo atentamente os que os outros têm a dizer e não ficar falando sobre si mesmas sem parar.

Achei isso superfeminino. Não sei bem a razão. Talvez porque já estivesse no livro da Glória Kalil, “Chiquérrimo”, que chic é aprender a ouvir e dar espaço para o outro...

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Por fim, estava navegando na página da “Graduate School of Business”, da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), dando uma olhada no programa de MBA e me deparei com o curso de “Women and Work” (mulher e trabalho). A descrição da disciplina: “Esse curso examina as principais questões envolvendo o emprego e o trabalho de casa da mulher: o aumento da participação da mulher na força de trabalho, discriminações de salários, segregação na ocupação de cargos, gerenciamento do tempo e conflito família/trabalho, o valor econômico de mães que ficam em casa, a economia de cuidar de crianças e o papel das políticas públicas”.

É a “mulherzinha” sendo discutida numa das melhores universidades do mundo. Não é à toa, parece, que a figura da “deusa doméstica” mostrada na TV pelo programa de culinária da Nigella Lawson está fazendo tanto sucesso...

 


Alessandra Blanco
É diretora de Conteúdo do iG