De volta à era do glamour?

Alessandra Blanco :: 26.04.2005

Audrey Hepburn

E

stamos vivendo uma nova era do glamour? Em uma discussão numa mesa de restaurante, outro dia, uma amiga defendia que estamos passando por uma nova década de 50 e 60.
As mulheres voltaram a usar saias rodadas e cinturas marcadas com sapatinhos de boneca.  A Dior reeditou o casaco de cintura marcadíssima que, junto a uma saia super rodada, ficou conhecido nos anos 40 como “New Look”.  Vendeu 18 peças, com valores de R$ 2000 e R$ 4000, em apenas dois dias em São Paulo e abriu uma lista de espera por outras.
Maquiagem voltou a ser algo indispensável, pelo menos para maiores de 30 anos. Usar jóias douradas deixou de ser horrível, muito pelo contrário.Voltamos a gastar dinheiro tomando drinques com as amigas, como dry martinis (o clássico da era do glamour) e sua versão para meninas dos anos 00, o cosmopolitan.
Estamos dando cada vez mais importância à aparência da casa e ao receber bem os amigos, o que em última instância leva a uma procura nunca antes vista por  um mix de qualidade de decoração, de comida, de bebida, de convivência e de vida mesmo.
Por isso, programas que vão de Martha Stewart, passando por Desperate Housewives e chegando a Sex and the City fazem tanto sucesso. Assim como livros como o “Chiquérrimo”, de Glória Kalil, são tão procurados. Existe uma linha de glamurização ligando todos eles.
Engraçado que no meio da discussão me dei conta que estava exatamente numa fase em que havia passado os últimos dias assistindo aos DVDs da coleção Audrey Hepburn, com “Bonequinha de Luxo”, “Sabrina”, “Cinderela em Paris” e “Quando Paris Alucina”. O cúmulo da sofisticação, bom gosto, moda, diversão e qualquer outra coisa agradável que você queira acrescentar.
E ainda estava lendo uma coletânea das crônicas que Clarice Lispector escreveu  no Jornal do Brasil, no final dos anos 60, que mostram uma era de glamour do jornalismo brasileiro que hoje parece muito distante.
Saudosista? Talvez. Mas até a música passa por uma fase de releituras que vai do glam de David Bowie a até o art-rock do Velvet Underground. Só que não é igual, é só inspirador, mas com usos e propostas diferentes. Acho que é essa a idéia. (Isso sem falar que boa parte das novas bandas se apresentam usando ternos).


 

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Alessandra Blanco
É diretora de Conteúdo do iG