A Cozinha da Rita |
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Alessandra Blanco :: 27.05.2005 |
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Se você, como eu, tem mais de 30 anos, provavelmente deve se lembrar da Rita Lobo como aquela modelo linda que estava em metade das capas da Capricho no início dos anos 80 e depois fazia um programa sobre moda na MTV. E a gente morria de inveja. Quando conheci a Rita nos anos 90, ela havia se despedido da carreira de modelo e se dedicava a uma nova paixão: a cozinha. Confesso que desdenhei um pouco: linda, alta, magra, diz que come de tudo e, pior, cozinha de tudo! Só podia ser invenção. Até que provei um risoto de limão, que eu mesma a vi preparando, com uma prática e uma facilidade que nem desarrumou a cozinha... Essa foi minha primeira visita à sua casa. Depois vieram outras, com bolo de limão, sopa thai, ovos mexidos com salmão defumado, espaguette ao pesto. E até um suflê de chocolate, que ela preparou em dez minutos num jantar na minha própria casa! De novo, sem fazer uma baguncinha na cozinha. No mês passado, Rita finalmente lançou seu primeiro livro, “Cozinha de Estar”. Engraçado que conforme fui lendo ia percebendo várias coisas que havia apenas experimentado com prazer, sem me dar conta. A idéia de “Cozinha de Estar” é sim ser um livro de receitas, mas o conceito por trás não é só isso. Assim como nos jantares na casa da Rita não eram apenas os pratos que vinham com apresentação sempre impecável. São os pratos, mas também a escolha e combinação entre eles. Os vinhos que irão acompanhar, a música, as pessoas convidadas para o mesmo jantar, a maneira de arrumar a casa (adoro, por exemplo, que no lavabo ela sempre mantém um “sortimento” de creminhos e perfumes à disposição de seus convidados, como um mimo). Rita sempre diz que se apaixonou pela cozinha e gosta de cozinhar porque acha que a comida aproxima as pessoas. As coisas e os relacionamentos acontecem em torno da mesa e da comida. O que concordo totalmente.
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“Cozinha de Estar” é então um livro de comida e de relacionamento. Por isso, as receitas são todas simples, fáceis de fazer, para que você possa ir para o fogão, deixar a casa arrumada de acordo com a necessidade do evento, mas também permanecer linda e cheirosa num jantar com quem quer que seja (e há inclusive dicas de como preparar um jantar romântico para fisgar aquele pretendente). Além disso, ele traz os segredos da minha massa (espaguete à carbonara) e da minha sobremesa (panna cotta) favoritas. No final do livro, para justificar sua paixão por bolo e chá da tarde, Rita diz que tem certeza que tem uma tiazinha bem velhinha e solteirona que mora dentro dela. Pode até ser. Mas acontece que normalmente essas tiazinhas “regulam” suas receitas para mocinhas novas como nós. Já ela tem paciência até para ensinar a cozinhar ovos.
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Alessandra Blanco É diretora de Conteúdo do iG
aleblanco@ig.com
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