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Álcool e Adolescência

Para muita gente, festa não parece ser festa sem uma cervejinha e quase todo mundo gosta de beber um vinho numa noite de frio ou uma caipirinha na praia de vez em quando. Mas até que ponto beber pode ser um ato prazeroso e onde exatamente isso se torna um risco para sua saúde?

G.P., de 19 anos, bebe todos os dias pelo menos uma cerveja, segundo ela, "para aliviar o estresse". " Tomei meu primeiro porre aos 12. Eu achei que o vinho era suco de uva e fui bebendo. Saí de bicicleta bêbada e caí em cima de uns espinhos que estavam no caminho", conta a menina.

"Não há um limite preciso para dizer quanto é muita bebida", explica a psicóloga Ana Regina Noto, do CEBRID (Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas). O que a psicóloga diz é que beber com moderação, quer dizer, não beber muito, é sempre mais indicado para se manter saudável.

Segundo Ana Regina, um estudo realizado pelo CEBRID aponta que o consumo freqüente – pelo menos 20 dias por mês -- de álcool entre adolescentes de 10 a 12, em 1997, era de 8,4%; de 13 a 15 anos, de 37, 4% e de 16 a 18 anos de 36,4%. Os fatores que levam os adolescentes a beber tanto são, geralmente, a propaganda de bebidas alcoólicas, o incentivo da sociedade para que as pessoas bebam em situações sociais e a facilidade de menores adquirirem bebidas em supermercados e lojas.

M.M., de 20 anos, explica que bebia quando era mais novo por causa dos amigos, mas que hoje bebe para se soltar porque é muito tímido. " A cerveja deixa a gente mais animado, mais simpático", diz.
A psicóloga Daniela Pinotti, do GREA (Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas), também chama a atenção para os primeiros contatos do adolescente com o álcool. " As pessoas começam a beber aos 10 ou 11 anos em casa com os pais como foi o caso de R.M., de 19 anos. Ele experimentou uma caipirinha do pai quando tinha 10 anos e jurou que nunca beber porque achou horrível. " Hoje eu bebo em situações sociais para relaxar", conta. "Eles experimentam a espuma da cerveja do pai, um gole de caipirinha ou uma bebida mais doce", explica Daniela. Para a psicóloga, essa atitude dos pais brasileiros de dar "um golinho" de bebida aos filhos é difícil de ser mudada, mas os pais poderiam – e devem – instruir sobre os efeitos da bebida. "É importante os pais explicarem que se o filho beber não deve dirigir, se beber em excesso pode entrar em coma alcoólico e ir para o hospital, por exemplo. O melhor é conversar com os filhos e não negar que eles possam vir a beber um dia".

A primeira bebedeira, segundo Daniela, acontece, em geral, por volta dos 12 aos 14 anos apesar de que, legalmente, com esta idade, os jovens ainda não podem consumir álcool. "O adolescente ainda não conhece seu limite, bebe e passa mal". Ela também explica que as meninas têm uma tolerância menor do que os meninos para o álcool. "O corpo da mulher tem mais gordura do que o do homem e, por isso, o efeito do álcool é mais forte". Daniela alerta para o fato de que as meninas estão bebendo cada vez mais para se igualarem aos garotos. . V.F., de 16 anos, conta que bebe porque todos os seus amigos bebem. " Quando é de graça, eu bebo. Todo mundo está bebendo e se eu não beber vou quebrar o clima", conta. Será que se V.F. simplesmente bebesse pouco ou respeitasse sua vontade de não beber, ela não conseguiria se divertir ainda mais com seus amigos?

Não podemos esquecer que existe a dependência do álcool. Ela leva cerca de 10 anos para se instalar, mas uma vez que a pessoa esteja dependente da bebida é muito difícil que ela consiga se livrar do vício. Cerca de 10% da população brasileira desenvolve o alcoolismo. Quando um viciado não bebe, ele tem a chamada síndrome da abstinência que leva a pessoa a sentir tremores nas mãos, distúrbios gastrointestinais, problemas com sono e inquietação.

O álcool é uma droga como outra qualquer que provoca prazer na hora do consumo, mas pode viciar. O importante é sempre se lembrar de que bebida e direção é uma combinação que pode acabar muito mal e que beber em excesso pode trazer males para saúde além de deixar você meio sem saber o que está fazendo direito. Como lembra a psicóloga Ana Regina, o pior efeito do álcool é a perda da própria liberdade.

Por: Ana Cândida (ana@igirl.com.br)

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