Aliança de compromisso
Por Marina Fuentes (contato@igirl.com), colaborou Leticia Zioni
Tem gente que acha brega, tem gente que acha tudo de romântico, tem gente que realmente não liga. Agradando ou desagradando, a verdade é que o hábito antigo de usar alianças de compromisso continua sim muito comum entre namorados.
Fizemos uma pesquisa entre as leitoras e percebemos que muitas delas simplesmente adoram circular e exibir as alianças por aí, justamente como acontece há muitos anos com várias gerações de meninas. A grande diferença entre as meninas de hoje e as de antigamente é o grau de seriedade com que vêem o anelzinho.
Na época das nossas avós e até das nossas mães, a aliança era dada apenas no noivado. Com o ato, que envolvia toda aquela cerimônia na frente dos pais da menina e tudo o mais, o moço demonstrava que tinha uma grande intenção de casar com a namorada. Anéis trocados, os dois deveriam usá-los na mão direita até a data do tão esperado matrimônio, quando trocariam a aliança de noivado pela de casamento para colocar na mão esquerda e viver felizes para sempre. Enfim, tudo muito tradicional e repetido como uma fórmula imutável em todas as famílias.
O fato é que o tempo passou, muita gente nem casa mais, simplesmente se junta, e o ato de noivar caiu em desuso. Com isso, as alianças deixaram de ser um símbolo de “olha-eu-vou-casar-com-você-tá?”. Agora usa quem quer, como quer, mais para demonstrar afeição do que exatamente para firmar compromisso.
Prova disso é que a paulistana Tatiana, de 14 anos, escreveu pra gente contando que quase todas as suas amigas que namoram usam alianças. “Acho que está ficando até um pouco comum hoje em dia”, disse ela. Elas mesma já usou uma que ganhou de um namorado, mas perdeu no mar e logo em seguida terminou o namoro. Realmente, ela não estava com nenhuma intenção de casar.
Aliança, que aliança?
Meninas felizes com suas alianças nem sempre é sinônimo de uma síndrome de romantismo entre os garotos. Sim, elas confessaram que muitas vezes deram um “empurrãozinho” para que o namorado aparecesse “de surpresa” com a caixinha da joalheria.
A paulistana Ana Beatriz contou que ficou tão feliz com seu primeiro namoro que cismou que queria uma aliança. “Como eu via muitos casais usando alianças de compromisso, eu era louca para usar uma também. Ai eu comecei a jogar umas indiretas porque se fosse partir dele eu acho que nunca teríamos uma”, justificou.
Pela culatra
Passar a usar aliança é sinal de que tudo vai bem na relação? Pode ser, mas não é uma garantia de que tudo continuará muito cor-de-rosa dali pra frente. Ana Beatriz – a mesma que deu as indiretas - contou que o anel se tornou um instrumento para chantagem emocional nas suas brigas com o namorado. “Já na primeira briguinha que nós tivemos os dois tiraram as alianças, mas depois colocamos de novo. (...)E foi assim durante 8 meses, até o termino do namoro”.
A mineira Isabela, de 15 anos, acha que a aliança marcou uma má fase no seu relacionamento. Depois de ganhar o anel e ficar muito feliz – era tudo que ela queria na época -, começaram os desentendimentos. As brigas eram basicamente...por conta da própria aliança. Ou porque ela esquecia, ou porque o namorado dela tirava para trabalhar no computador, ou porque um provocava o outro tirando.
“Aquele anel que ia mostrar o nosso amor acabou mostrando a nossa raiva. Eu ficava muito estressada e por mais que amasse o anel, deixava de usar para deixá-lo com raiva”, disse ela. Depois de um tempo, os dois decidiram que era melhor deixar a aliança para lá. Eles continuam juntos até hoje – há dez meses.
Amor sim, anel não
Quem não acha graça em aliança, nem quer pensar em usar. A paulista Isabela Cristina, 19, fez um trato com o namorado de que não usariam nenhuma aliança. Ela já tinha ganhado este tipo de anel em dois namoros anteriores e achou que já estava meio banalizado. “Sinto que este relacionamento é diferente de tudo que já vivi e não será um anel ou qualquer ouro objeto que simbolizará o nosso amor”, contou ela no e-mail que mandou para nós.
A Paulistana Natália nunca usou e nem pretende usar aliança. Ela namora há cinco meses e acha que o objeto serve mais para provar para os outros do que para o próprio casal. “Acho muito fraquinho”, disse ela.
Outras formas
Realmente, para algumas pessoas usar aliança não basta. Alexandra Briganti, 31 , tatuou o sobrenome do marido dentro de um coração com uma flâmula antes do casamento. “Sempre gostei dessa história de tatuar o nome do namorado, mas não é essa ‘bigodada’ de “ah, isso marca um compromisso e tal”. Tenho outras duas tattoos de ex-namorados.” Ela e o namorado se casaram em uma cerimônia tradicional e também passaram a usar a aliança convencional. “A princípio iríamos usar apenas no dia do casamento, mas depois nos acostumamos”, diverte-se ela.
Outras pessoas fogem do esquema da aliança de compromisso tradicional, mas de maneira menos radical. Em nossa pesquisa, recebemos muitos e-mails de meninas contando que usam correntes com pingentes com a metade de um coração enquanto o namorado usa a outra. Um usar o sol, o outro a lua ou as famosas letrinhas orientais com o significado “amor” também foram indicados como bastante populares por nossas leitoras. Ana Elisa, a mais inusitada, disse que o namorado tem um telefone azul e ela um branco, eles trocaram as baterias e ambos agora desfilam com telefones bicolores, “uma espécie de aliança”, segundo ela. Beeeeeeeeeeem diferente das nossas avós!!!
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Rodrigo e Isabela: nada de aliança

Alexandra e Alexandre no casamento: alianças tradicionais também

Alexandra e a tatoo (no peito) com o sobrenome do marido
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