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Os opostos se atraem?

Por Carlos Augusto Gomes (contato@igirl.com.br)

Ela gosta de Britney Spears, ele de Sepultura. Ela prefere passar o final de semana em casa, ele quer sair com os amigos. Ela vive malhando na academia, ele só quer saber de ir ao cinema. Em casos assim, será que a relação tem futuro? Afinal, para um namoro dar certo, é preciso que o casal tenha muita coisa em comum ou é melhor quando os dois são bem diferentes?

“Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas do coração?”. A pergunta está na letra da música “Eduardo e Mônica”, do Legião Urbana. Na vida real, existem vários casais como os da canção – são tão diferentes que parece impossível que o namoro vá dar certo. Mas, assim como na música, a coisa funciona. “E todo mundo diz que ele completa ela, que nem feijão com arroz”, já dizia Renato Russo.

A estudante de publicidade Daniela* sentiu na pele as dificuldades de namorar alguém bem diferente dela. Ela faz faculdade, é super vaidosa e tem 21 anos, e se apaixonou por Ricardo*, seu instrutor na auto-escola – ele parou de estudar no colegial, é bem relaxado e tem 29 anos. “Todo mundo apostava que nosso namoro não duraria dois dias, mas estamos juntos até hoje”, conta Daniela*.

No começo, nem eles acreditavam que o relacionamento teria futuro. Além disso, enfrentaram a oposição dos pais e de alguns amigos. “A família dele achava que eu era a menina mais fresca e nojenta da face da terra. Já meus pais tinham medo que ele quisesse se aproveitar de mim”, diz. Só depois de quatro meses de namoro, quando perceberam que a coisa era séria, é que as famílias dos dois aceitaram tudo numa boa.

A reação dos amigos foi de espanto. “Quando conheci o Ricardo*, eu ia para a auto-escola de motorista. Os amigos dele morriam de rir”, conta Daniela*. Outro problema eram as partidas de futebol do namorado. “No começo, eu ia aos jogos de salto alto. Meu pé sempre prendia no chão, que era todo de pedrinhas”. A solução? “Hoje tenho um par de tênis para essas ocasiões especiais”.

Outra dificuldade era levar Ricardo* para danceterias e, principalmente, para o teatro. “Eu amo teatro e, no começo, tinha que praticamente arrastar meu namorado junto comigo”, diz Daniela*. Mas ele acabou se acostumando e hoje escolhe que peças os dois vão assistir. “Ele até me pediu em casamento depois que assistimos o musical ‘A Bela e a Fera’”, se derrete.

Eu sou paty, ele é mano

Às vezes, o que faz a diferença é mesmo o estilo do casal. Stephanie, de 14 anos, ficou durante uma semana com um garoto que não tinha muito em comum com ela. “Eu sou uma das maiores patys do colégio, enquanto ele faz o estilo mano, usa roupas bem largas e gosta de rap”, conta. “Minhas amigas viviam dizendo que não acreditavam que eu estava junto com ele”, explica.

Como não tinham muito em comum, os dois nem saíam juntos. “Eu tinha um pouco de vergonha de ser vista junto com ele”, confessa. “Todo mundo dizia que formávamos um casal estranho”. Questionada se o relacionamento terminou por causa da pressão das amigas, Stephanie disse o seguinte: “nunca fui muito a fim dele. Se fosse, estaríamos juntos e não me importaria com a opinião dos outros”.

A oposição dos amigos pode ser um problema grave. Além de Stephanie – cujas amigas “estranharam” seu ficante -, Daniela* também enfrentou resistências de alguns conhecidos. “Uma menina chegou a inventar histórias sobre o Ricardo*, me disse que ele tinha outra família. Era tudo mentira”, diz. Outros amigos, ao contrário, deram o maior apoio a ela no começo do namoro, quando os pais ainda eram contra.

Muitas vezes é justamente a diferença que faz a graça do namoro. A estudante Adriana, de 19 anos, adora MPB. Já seu namorado gosta mesmo é de heavy metal. “No começo eu odiava Iron Maiden, mas aprendi a gostar. Cada coisa que a gente faz por amor...”, disse ela, rindo. “Com meu namorado é a mesma coisa: não posso dizer que hoje ele ama Gilberto Gil, mas ele ouve”.

Então será que todas as diferenças são contornáveis? Adriana acredita que sim. “Se existir compreensão e boa vontade dos dois, não há problema. O que não pode é um não aceitar nada do outro, e vice-versa”, acredita. “Afinal, se meu namorado fosse igual a mim em tudo, não iria acrescentar nada. E o bom do namoro é quando você vive experiências novas”, completa.

*Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados

 

















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