Namoro pelo mundo
Por Lia Nasser e Marina Fuentes (contato@igirl.com.br)
Em cada lugar do mundo a paquera tem suas características particulares e o namoro acontece de um jeito. A liberdade de procurar um namorado, paquerar, ‘ficar’, são comportamentos bem brasileiros. O Brasil faz parte dos lugares mais liberais quando o assunto é paquera. Alguns países são bem parecidos com o nosso, como por exemplo a Espanha e a Argentina. Porém em outros, como em alguns países do Oriente Médio, o namoro é bem diferente daqui. Para os muçulmanos, por exemplo, é possível escolher um parceiro, mas para se encontrar e conversar apenas durante alguns dias ou meses, e depois disso já marcar o casamento. Para ter uma idéia dessas diferenças todas, reunimos depoimentos de pessoas que vivem ou viveram em outros países. Elas nos contaram como meninos e meninas fazem para se conhecer e se relacionar em cada lugar
Finlândia: A estudante de turismo Caroline Onofre, de 20 anos, tomou um susto quando foi à primeira festa na Finlândia, onde passou 11 meses. “Menores de18 anos não podem sair, mas não é como aqui, que a gente dá um jeitinho. Lá eles respeitam, é uma regra séria. Mas quando completam a idade necessária, dão uma ‘pirada’ com o novo mundo. Todo mundo bebe demais e perde a noção e acaba sendo a maior galinhagem”, conta ela. Carol disse que o normal é as meninas chegarem junto e agarrarem os meninos, que são bem mais tímidos. “Mas ninguém fica com má fama lá. Não tem essa de menina galinha. Elas chegam agarrando e isso é normal, ninguém fica com ressaca moral, mesmo porque é isso que os meninos esperam. Uma menina que agarra um garoto pode virar namorada dele depois”. Carol também falou que, quando namoram, os finlandeses são superfiéis. Que tal?
EUA: Já no interior da Califórnia a coisa já é bem diferente. Segundo Natalia Giembinsky, 22 anos, estudante de administração; nos EUA os costumes são muito diferentes de um estado pra outro. “Eu fiquei em Fresno durante 6 meses, lá é interior então o que normalmente acontece é que as pessoas se conhecem na escola, namoram e logo se casam. Fiquei chocada como se casa cedo lá”, diz ela. Além disso, Natália conta que para beijar na boca você deve estar namorando, ou saindo há um tempo, já que no interior da Califórnia não se beija um desconhecido na balada. Quando um cara chega em você com o interesse de ficar, na verdade ele já quer namorar. Agora, já numa discoteca, diz Natália, “é tudo muito diferente e você só pode sair se tem mais de 21 anos. As pessoas dançam de um jeito muito sensual, se esfregam e tudo, as pessoas fazem isso sem pedir e sem falar nada, mas ninguém beija. Isso de “ficar” não existe. “Quem beija na primeira noite é considerada uma galinha e, depois que beija, é muito normal que role sexo, mas quem topa tudo raramente vai conseguir algo sério. “No interior é 8 ou 80”, resume Natalia.
A estudante Lis Nasser Marques, 17 anos, está em Heldton, segundo ela ”essa é uma cidade minúscula, num estado bem tradicional dos EUA, e eu sei que aqui as pessoas mais jovens não beijam em festas, elas vão em dates(encontros)”. Segundo ela, eles se encontram só para se verem e, se os encontros passarem de umas três ou quatro vezes, vira compromisso!
Alemanha: A alemã Yonna tem 16 anos e diz que já beijou meninos que nunca mais viu e que as amigas dela também beijam em festas. A Alemanha é um país onde ficar é muito natural. Ela tem também amigas que têm namorados e vida sexual ativa.
Taiwan: A estudante Jennie, 18 anos, atualmente faz um intercâmbio em Oaklahoma, EUA, mas mora em Taiwan. Ela conta que nunca beijou e que isso é comum entre suas amigas, principalmente as que estudam em escolas só de meninas, como o caso dela. Jennie tem amigos no bairro e eles só a vêm como uma amiga,o que a deixa muito brava. Porém, Jennie também tem amigas que têm namorados. Em Taiwan não tem essa de ‘ficar’.
Inglaterra: A jornalista Guta Pacheco, 22 anos, morou em Londres e na opinião dela é difícil generalizar, mas de uma maneira geral o inglês é mais objetivo, mais frio na paquera, ao contrário do Brasil, onde a paquera envolve olhares e aquele clima diferente, que dá um friozinho na barriga. Ela conta: “uma vez um Londrino me disse: Gostei de você, quer fazer amor comigo hoje? Lá é bem comum esse tipo de comportamento: transar com alguém que você não vai mais ver e não ficar se preocupando se é certo ou errado”. Ela conta que lá, os namoros são bem mais frios, os casais agem mais como amigos e não tem esse negócio de carinho o tempo todo, como aqui. “Para eles o casamento não é uma preocupação, são bem independentes e bem mais liberais. As meninas não são tão preocupadas em encontrar um grande amor, ao menos aparentemente”.
Já para Renata Cajado, 27, que morou em Londres também, “quando um menino se interessa por uma menina ele procura conversar, oferecer uma bebida, ser gentil”. Os brasileiros, na sua opinião, são diferentes por que já chegam apressados querendo mesmo beijar. “Os ingleses são mais diretos, mas muito mais gentis: eles mandam recados por amigos e elogiam bastante”. Espanha: Segundo a estudante espanhola Maria Dolores Mendonza, 17, que vive em Madrid, a evolução de uma paquera até se tornar um namoro é muito parecida com o que acontece no Brasil. Ela contou que se você está em uma discoteca com as amigas é normal que os meninos cheguem junto, te chavequem e tentem ficar com você. Depois pode rolar uma troca de telefones e a coisa evoluir pra um “rollo” - como eles chamam lá - ou até um namoro. Lá também acontece de ‘ficar’ sem nem rolar uma conversa antes, já que “um olhar muitas vezes vale mais do que mil palavras”, na opinião de Maria. Ela contou ainda que quando você está sozinha com o seu ‘ficante’ é normal que as coisas “esquentem” independente do tempo que estão juntos. “Tudo depende da situação”, acrescentou ela.
Japão: Francine Flora, 26, mora no Japão há seis anos e namora um japonês. Ela disse que as paqueras acontecem em grupos arranjados. Geralmente um menino chama os amigos e uma menina chama as amigas, sempre em número igual e os casais acabam se formando. “Não existe esta de ficar não, o que acontece é um casal que se conheceu no grupo combinar de sair sozinho depois”, explica ela. “E só depois de uns três ou quatro encontros é que se arrisca um beijo e olhe lá”, completa. Em compensação, Francine disse que depois que se beija, as coisas acontecem mais rápido: se beijou, já é namoro.
Outra coisa curiosa que ela contou é que não existe paquera em danceteria. “No máximo você dá a sorte de ser apresentada a alguém, dái você bate papo, o cara pede o seu e-mail (telefone não, no máximo e-mail), vocês entram nessas dos encontros e por aí vai...”
Países de religião Islâmica: A carioca Maria Moreira, que é convertida ao Islamismo desde 1990, criou o site <a href= www.geocities.com/islamicchat/. Target_blank>Islamic Chat – A voz feminina na internet</a>. Ela contou um pouco como homens e mulheres muçulmanos se conhecem e se casam: “Em geral, a partir do momento que existe um muçulmano (ou muçulmana) querendo se casar, é dar uma “ajudazinha” tentando aproximar pessoas que tenham algo em comum e que possam se entender. Os dois sentam e conversam, mas sempre com alguém por perto. Não quer dizer que a pessoa tem que ficar do lado ouvindo a conversa, mas tem que estar por perto. É porque existe um “hadith” – como se fosse uma regra - do Profeta (SAWS) dizendo que um homem e uma mulher não devem ficar sozinhos para não serem tentados. Então desde que não exista a possibilidade de ficarem íntimos, não precisa ficar ninguém “colado” o tempo todo nos dois, mas não devem sair juntos sozinhos”.
O amor também tem outro peso pra eles. “O Islam não proíbe as pessoas de se casarem por amor, diz Maria, “mas elas são alertadas para que tenham cuidado com o amor cego ou a paixão. Eles podem levar as pessoas a cometer loucuras e pode levá-las a comportamentos reprováveis na religião”. Então, em geral, o amor vem com o tempo, após o casamento. África do Sul: Neste país a paquera se parece bastante com o interior dos EUA. Lá, as pessoas só investem em quem realmente gostam, e já têm um interesse em namorar, apesar de não se casarem tão cedo. A estudante de administração Mariane Aragoni, 20 anos, passou alguns meses lá e pôde perceber que quando um casal se beija, é para namorar, e isso só acontece lá pelo quarto ou quinto encontro. Antes disso, o futuro casal vai ao cinema, conversa, passeia, e só depois acontece uma tentativa de beijo por parte do menino. “ Tanto meninos quanto meninas investem na paquera, mas só quando querem algo mais sério com a pessoa” finaliza ela.
Dinamarca: Décio de Giorgi, 26 anos, fez o terceiro colegial na Dinamarca e conta que tomou uns tombos antes de aprender os códigos de paquera de lá. “Tive muito problema porque abordava as pessoas de uma maneira, digamos, muito mais agressiva do que elas estavam acostumadas”. Décio falou que no colegial a maioria dos programas noturnos são festas na casa de alguém e que todo mundo dorme na casa da festa porque faz muito frio e não há condução à noite em muitos lugares. “Como todo mundo dorme no mesmo lugar, fica mais fácil chegar junto”. Ele disse que tudo é muito mais sutil, que ninguém fica falando o que quer fazer, que os dinamarqueses são muito travados e que raramente se vê um casal dando um amasso em algum lugar. “A pessoa da um jeito de ficar a sós com você”, contou Décio, que também falou que os casais de namorados são muito menos possessivos que os brasileiros. “O menino não pode ficar controlando a menina e vice-versa.”<br>
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