Eu me mordo de ciúme
Por Mariana De Lucca (contato@igirl.com.br)
Você tem um namorado fofo, que gosta de você e vive um romance às mil maravilhas. Mas basta ele dizer que vai sair sozinho com os amigos, falar sobre alguma “amiga” ou receber ligações da ex, que você já entra em desespero. Afinal, quem nunca ficou com a pulga atrás da orelha com ciúmes do namorado?
O ciúme é basicamente causado pela insegurança, ou seja, a menina não confia no próprio taco e sempre acha que o namorado pode se interessar por outra mais bonita ou mais interessante. Este é o caso da estudante Camila Araújo, 23, que perde a razão toda vez que o namorado Marcelo vai aos treinos de vôlei. “Elas são malhadas e eu não. Tenho medo da comparação, de ele não me achar mais interessante”, diz.
Outro “probleminha” que deixa Camila de cabelos em pé é a ex-namorada do Marcelo, que também participa dos treinos. Essas duas letrinhas são capazes de ferver o sangue de qualquer ciumenta. “Ele apareceu com um livro e, quando eu perguntei, ele falou numa boa que era presente da Renata, a ex. Na hora deu o click: outras meninas podem se interessar por ele e vice-versa. O ciúme explodiu total”. Na dúvida, Camila tentar evitar ao máximo que Marcelo freqüente sozinho os mesmo lugares que a ex. “Se as baladas com os amigos incluírem a fofa, ele só vai se eu estiver junto”.
Defendendo o território
A paulista Lívia Bonamigo, 19, é uma ciumenta moderada. Ela acha horrível ficar restringindo as pessoas e diz que é importante que seu namorado, João Paulo, saia com os amigos. “Ou você confia, ou não confia”. Mas quando João vai para alguma balada, ela se morde por dentro. “Digo pra ele ir, mas depois fico pensando se está rolando alguma coisa. Quando ele chega em casa, ligo e confesso que morri de ciúmes”.
A gaúcha Fernanda*, 21, conta que já armou um barraco há dois anos. Ela estava dançando com o namorado e alguns amigos, quando uma menina veio cochichar no ouvido dele. Quando a rival foi embora, Fernanda teve que tirar satisfações. “Ele me disse que a menina queria ficar com ele, mas deixou claro pra ela que tinha namorada. Pra mim não foi o suficiente. Fui atrás da menina, a puxei pelos cabelos, e disse que se ela continuasse olhando pro meu namorado eu iria arrancar aquela cabeleira. Quando a menina me olhou assustada, eu xinguei um monte e disse que ela tinha chegado tarde demais”. Fernanda, ciumenta “assumidíssima”, diz que é insegura e tem ciúmes até de ficantes e rolos. “Não sei se é bom ter ciúmes, mas quando as outras meninas passam dos limites, é preciso garantir a propriedade”.
O lado deles
Giovanni Silveira Maioli, 22, diz que o ciúme pode ser bom ou ruim “Eu gosto quando a menina demonstra o ciúme em tom de brincadeira. É uma maneira dela demonstrar que gosta de mim”. Por outro lado, Giovanni odeia ser vítima de cenas de ciúmes que viram briga. “Isso desgasta a relação e não dá pra viver em paz, afinal, se não há confiança não tem namoro”.
Vinicius*, 18, tem uma namorada bem ciumenta. Se ele encontra alguma amiga na balada, ela já pede mil e uma explicações. “Tenho que dizer quem é, de onde eu conheço, tudo para que a Marcela* se sinta mais segura. Às vezes estou olhando para algum lugar e ela encuca que eu estava de olho em outra menina. Depois fica emburrada, chora, e fica um tempão calada.” Ele acha que tirar satisfação e ficar de cara fechada é pior que armar qualquer barraco. “O barraco acaba na hora. Mas ficar sendo questionado a todo momento, e ter que agüentar cenas cansa o namoro”.
Como domar a fera
Para a psicóloga Maria Cecília Casagrande de Godoy, existe sim um ciúme saudável, que se dilui rapidamente com a segurança da relação. No entanto, quando ele começa a virar angústia, é hora de começar a se preocupar. “A menina controla o namorado, mas esquece de ficar bem em seu próprio interior. Ela deve estar bem com ela, estar segura, e assim irá sentir apenas um ciúme que não compromete a relação, que demonstra o amor”.
Especialista em relacionamentos, o “personal trainner do amor” Sérgio Savian afirma que a insegurança determina o ciúme. “A menina não se acha boa o suficiente, tem medo da comparação e de perder o parceiro. É natural que o ciúme esteja presente no namoro, mas temos que equilibrar este sentimento com a razão”, defende ele.
Sérgio diz que não existe uma fórmula para acabar com o ciúmes mas, para manter o controle, a pessoa deve ter auto-estima suficiente para não cobrar o amor do outro. “Amor não se cobra. Dizer que o namorado é a razão do seu viver revela um grave problema. A garota tem que pensar que gosta muito do namorado, mas sua vida também pode ser boa sem ele”.
Portanto, se você confiar na relação e principalmente em você mesma, vai sentir apenas aquele ciuminho saudável e, com certeza, não vai brigar com seu gato por conta de insegurança. O único jeito de controlar o seu ciúme é se policiar o tempo todo. Quando você sentir que o ciúme vai pintar, tente manter sua auto-estima lá em cima e não se esqueça de contar até dez antes de armar um barraco.
* os nomes foram alterados a pedidos dos entrevistados
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