Namoro à distância
Por José Bueno de Souza (contato@igirl.com.br)
Já ouviu falar em um “relacionamento epistolar”? Aqueles namoros de antigamente, em que os namorados só se falavam por carta? Pois é, isso parece antiquado, mas se pensarmos bem, esse tipo de relacionamento é super atual. A única diferença é que as cartas deram lugar ao telefone, e-mails e “instant messengers” (ICQ, MSN etc.).
Essa tecnologia toda pode facilitar o contato, mas ainda é não é nada fácil manter um namoro à distância. A Laura Prado, 24 anos, é de São Paulo, e tem experiência no assunto. Aos 17 anos, teve um “namoro virtual” com um cara de Belo Horizonte, mas a relação não durou muito.
Mas em matéria de namoro à distância ela foi bem longe. Em uma viagem para a Austrália, no final de 2001, Laura começou a namorar outro turista, o suíço Roger. O namoro na Austrália durou mais dois meses, até ela ter de voltar para o Brasil. “Depois de ficarmos, ele ainda foi passar uns dias viajando com umas meninas que ele conheceu lá. Fiquei furiosa, brigamos e aí decidimos namorar porque estávamos morrendo de ciúmes um do outro”, Lembra.
O namoro continuou à distância, por e-mail e ICQ, por mais quatro meses. Mesmo com as dificuldades por causa dos diferentes fusos horários, os dois sempre tentavam um jeito de se falar. Com o passar do tempo tempo, agravado pela ausência do namorado, Laura foi se interessando por outro menino aqui no Brasil. “Já estava com a passagem comprada para a Suíça, mas fui me apaixonando por outro cara e acabei desistindo. Falei com o Roger, ele ficou triste, mas entendeu. Ainda somos muito amigos, mas só amigos”, frisa.
João Farah, de 17 anos, não precisou ir tão longe para arrumar uma namorada. Durante sua viagem de formatura para São Carlos, em julho deste ano, ele ficou por pouco tempo com uma garota da cidade, mas logo teve que voltar para São Paulo. Os dois tentaram continuar, mas não era tão fácil assim levar o relacionamento. “No começo pensamos que daria certo, e conversávamos sempre pelo telefone e por e-mail, mas depois vimos que não dava mais. Decidimos terminar o namoro”, explica João.
História feliz
Mesmo com tantas dificuldades, namoros à distância podem dar certo sim. E o caso de Claudia Rondon, de 22 anos, não poderia ter um final mais feliz. Quando tinha 17 anos, em 98, a Claudia viajou para a Inglaterra para estudar inglês. Era época da Copa do Mundo na França e o grupo de estudantes com quem estava foi a um cinema onde seria transmitida a grande final da competição. Aquela que o Brasil perdeu para a França...(detalhe que merecia ser esquecido).
Pois bem, foi durante o intervalo do jogo que a Claudia conheceu o inglês Gavin, então com 19 anos. Junto com alguns amigos, os dois conversaram e decidiram se encontrar novamente. Pouco depois, entre passeios e conversas, os dois começaram a se envolver. Ficaram juntos – mas no estilo recatado de “ficar” da Inglaterra - por mais ou menos um mês, quando Claudia voltou para o Brasil.
Aí começou a parte mais delicada. Por quatro anos os dois mantiveram contato pela internet e (de vez em quando) por telefone. “Tudo foi muito legal. Essa historia de nos falarmos e estarmos sempre dividindo as coisas... Começamos a nos conhecer melhor por e-mail, conversar, discutir nossos problemas”, explica contente.
Mas Claudia não acha que se pode chamar esse relacionamento de “namoro”. “Acho que não dá para dizer que ficamos namorando virtualmente, entende? É meio estranho, até porque eu conheci outros meninos no meio do caminho e ele também conheceu outras meninas”, lembra.
Foi somente em 2002 que os dois puderam se reencontrar, quando durante suas férias, Gavin veio ao Brasil. “Estava muito preocupada com o reencontro, mas foi algo muito intenso”, explica. Depois de um mês juntos, Gavin teve de voltar para a Inglaterra, mas a partir de então os dois estavam “namorando de fato”.
O relacionamento à distância continuou, com uma grande ajuda do MSN, e no meio deste ano Claudia viajou para a Inglaterra, de onde deu esta entrevista – também pela internet.
Mesmo com esse final feliz, Claudia lembra que é muito complicado levar um relacionamento à distância. “Não é mole ficar longe da pessoa que você ama. Muita gente apóia e acha bonitinho, mas tem sempre gente que pergunta se você não fica com outras pessoas aqui, e tudo mais”, lembra.
E para quem quer tentar um relacionamento à distância, a Claudia dá seus conselhos. “Sempre temos que enfrentar ciúmes e inseguranças, mas o negócio é jogar limpo mesmo. E ser acima de tudo companheiro. Parece loucura, mas não é”, resume.
Dicas para levar um namoro à distância:
- Esteja preparada: manter um relacionamento à distância é difícil e é bom que você saiba disso quando resolver se envolver com alguém que mora longe.
- Seja companheira: pergunte da vida do menino, se envolva nas questões dele, dê conselhos. Desta forma, ele vai te considerar mais próxima do que se você ficar só perguntando se ele não tem saudades.
- Não desanime! Se você optou pelo namoro à distância, não vá ficar sofrendo. Faça as suas coisas, saia com as amigas e não fique deprê pelo seu namorado estar longe (é difícil, mas você deve tentar)
- Avalie a situação: para ter um namorado que mora longe, o amor tem que ser muito grande, pois uma das coisas mais gostosas do relacionamento, que é ficar junto, abraçar, beijar, acontece com uma freqüência muito menor do que se os dois moram próximos. Por isso, pense bem se vale o sacrifício para não ficar sofrendo por um menino que você nem gosta tanto assim.
- Estabeleça regras: tem muito menino que aproveita a distância para ficar com um monte de meninas ou mesmo manter dois namoros paralelos. Não faça papel de boba e estabeleça regras com ele. Diga que manter a fidelidade estando longe é duro, mas que se ele não estiver a fim, você tem o direito de saber.
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