Namoro ou amizade?
Por Lia Nasser, (contato@igirl.com.br)
“Estou gostando do meu melhor amigo”, revela a estudante Ludmila, 13. “Não sei por que sempre me meto nessa furada, é a segunda vez”, reclama ela. Muitas meninas certamente se identificam com ela ou já viram isso acontecer com alguma amiga. Ludmila ficou com medo de estragar a amizade. Esta questão é a primeira que surge para quem se apaixona pelo melhor amigo...
Vocês conversam o dia inteiro na escola, ele te liga todo dia, você o ajuda a estudar para a prova de história, fazem tudo juntos, ele até dorme na sua casa e ainda por cima é no ombro dele que você vai chorar quando se desentende com seu gatinho? Pois é, grande parte destas amizades duram muito tempo se os dois são bem decididos quanto aos seus sentimentos, mas não dá pra negar que a chance de se pegar gostando desses grandes companheiros é enorme. Bruno Padoveze, 21, assume: “minhas maiores paixões foram por grandes amigas”. Porém, esta situação não é nada fácil. O que fazer quando isso acontece?
Ter certeza dos seus sentimentos A primeira coisa a fazer quando se percebe que a amizade está virando ‘algo mais’ é avaliar bem este sentimento. Afinal, o medo de estragar a amizade é o primeiro que aparece. “Tente se perguntar e pensar bastante se o que você está sentindo não pode ser algum tipo de carência ou apenas atração sexual”, alerta a psicóloga Maria Olímpia Saikali. Ela acredita que as duas relações sempre devem estar muito separadas e definidas.
Essa avaliação dos sentimentos pode durar um tempo, mas não muito. Se ficar meses pensando, a resposta parece bem clara: você não tira ele da cabeça. Nestes casos, é preciso encarar a situação. Não, não é fácil, mas você tem que enfrentar!
Não dá para fingir que nada acontece... Beto, que hoje tem 28 anos, foi loucamente apaixonado pela sua melhor amiga, mas não teve coragem de se declarar. “Quando comecei a fazer com que ela me notasse, ela partiu. Tinha uma doença terminal, dessas que não dá chance”, se abre Beto. “Ela me considerava como se fosse seu irmão, eu tinha 17 e ela 18, foi a única pessoa que gostei de verdade”.
O triste caso de Beto é um extremo, mas é um exemplo bastante forte que justifica a frase acima: "não dá para fingir que nada acontece". Mesmo por que, orienta a psicóloga: “É preciso tomar uma decisão. Ficar em cima do muro não é uma atitude honesta e acaba não fazendo bem nem para a menina, nem para o amigo. As coisas devem ser sempre muito claras para evitar que ambos se machuquem”.
A partir do momento em que se tem certeza de que o amor é verdadeiro, o próximo passo é avaliar as chances de rolar alguma coisa. Como essa avaliação é muito subjetiva, se não houver nenhum empecilho maior (como uma namorada no meio do caminho), o melhor é ir pensando em um jeito de demonstrar o interesse. Afinal, o que adianta não perder o amigo, mas ficar sem um grande amor?
Agora, é importante ser realista e sincera consigo mesma. Se a apaixonada sabe que suas chances são muito pequenas e não está disposta a arriscar, “o melhor é se afastar por um tempo, se dar a chance de gostar de outras pessoas e depois voltar e ser uma amigona”, aconselha a psicóloga Maria S.
Indecisão inevitável Ludmila se arrepende muito de ter tido medo de estragar a amizade: “Conheci ele no colégio. Depois de uns 6 meses ele começou a gostar de mim. Nós já éramos amigos, mas ele não me contou até quando pediu para ficar comigo e eu não quis. Não tinha certeza se gostava dele e nem queria estragar nossa amizade. Foi neste ano que nos tornamos melhores amigos, de contar tudo mesmo. Ele até já me viu ficando com outro, mas agüentou. Todo dia ele me pedia para ficar”. O amigo de Ludmila não agüentou ficar só correndo atrás dela e acabou desistindo. Começou a namorar uma outra menina. “Agora ele não quer mais, de tanto que eu enrolei. Ele tem razão, mas o pior é que acabei me apaixonando”, confessa ela.
Beto, por exemplo, conta que sempre ficava de cupido das paqueras da melhor amiga por quem era apaixonado. "Ela pedia que eu falasse para o cara que a encontrasse na escola e eu dizia que ela estava na padaria. Ela nunca percebeu, mas teve uma época que eu queria brigar com ela para esquecer um pouco", revela.
Deu tudo certo Todas as vezes que Bruno Padoveze se apaixonou, foi por amigas. Todas as suas namoradas foram suas amigas antes. Ele também já se apaixonou por amigas que não foram suas namoradas, mas a menina que mais amou foi a que durou menos tempo. “Éramos muito amigos, mas namorava outra menina que era superamiga nossa".
"Conheci esta minha namorada na Hungria, eu de Sampa e ela de Goiânia. Namoramos seis meses e ela voltou para o Brasil e eu continuei lá. Minha melhor amiga lá era da Argentina, eu era apaixonado por ela, mas nunca rolou nada porque eu namorava e gosto de sinceridade”, continua Bruno. ”Quando a brasileira foi embora, o inevitável aconteceu, namoramos e deu supercerto. Nos falamos muito e trocamos e-mails muito intensos. Hoje o sentimento é outro e continuamos amigos”, conclui Bruno.
Janaína*, 18, tem uma história interessante com seu melhor amigo. Eles acabaram ficando por um tempo juntos e isso não estragou a amizade. Janaina* acabou ficando com outra pessoa neste período, o que magoou demais Antonio*. “Aí tretamos, fiz uma besteira por impulso”, diz ela. "Hoje já está tudo bem e ainda ficamos. Sinto que não é a hora ainda de namorarmos, somos muito novos e imaturos, mas apostaria que ele pode ser o homem da minha vida”. Antonio* também gosta de Janaína* e os dois permanecem com esta amizade colorida até sentirem ser a hora de investir em algo mais sério.
Essa forma mais desencanada de começar a ter algo com um amigo é um boa maneira de não pesar as coisas logo de cara. Se não deu certo ser ficante do amigo, é mais fácil se tudo acabar numa boa. Uma amizade que, de uma hora pra outra, vira um namoro sério muda muito a realidade e a cobrança que existem entre os dois. O "choque" pode dar margem a brigas e a um possível abalo na amizade.
* O nome foi alterado a pedido da personagem
Consultoria Psicóloga Maria Olimpia Jabur Saikali
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Bruno, 21, namorou com uma grande amiga e deu certo

Janaína*, 18, acha besteira ter medo de perder a amizade. Com ela isso também não aconteceu
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