Aids ainda é coisa muito séria
por José Bueno de Souza e Camila Mendes
Todo mundo sabe que Aids mata, certo? Errado! Por mais assustador que pareça, tem muita gente por aí que parece não saber disso. Foi o que revelou uma pesquisa divulgada pela BBC que tratou dos conhecimentos dos brasileiros sobre a doença.
Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros acham que a Aids não mata. Para se ter uma idéia, no México, 31% dos entrevistados afirmaram que a doença não é fatal e nos EUA, apenas 2% são dessa opinião.
É verdade que nos últimos anos os tratamentos evoluíram muito, especialmente depois de 1997, quando surgiram os primeiros coquetéis anti-Aids. Mas nem por isso dá para descuidar, e a ordem mesmo é se prevenir.
Exatamente como faz o vestibulando Marco Antonio, de 17 anos. "Sempre tenho uma camisinha na carteira". O problema é que nem todo mundo pensa assim. "Eu tenho amigos que depois de saírem algumas vezes com a mesma garota, relaxam e desencanam do preservativo", lembra.
Segundo a ginecologista e obstetra Karen Canaes Wieczinski, hoje em dia a maior preocupação dos jovens é com a gravidez, as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e o HIV, parecem não assustar tanto. “Acredito que com o avanço no tratamento da Aids os jovens perderam o medo. Hoje a Aids é vista como uma doença que se trata, não se vê mais as pessoas morrendo, não causa mais aquele impacto”, explica.
É o caso de F.C*, de 18 anos. Depois de um mês saindo com a mesma garota, parou de usar a camisinha. “A gente conversou bastante e percebi que não era mais preciso usar preservativo, eu confiava nela”, explica.
E esse papo de "confiar" é o maior perigo! Segundo dados do Ministério da Saúde, de 1980 até 2002, foram registrados cerca de 260 mil casos de Aids no país. Desse total, mais de 5.500 são de adolescentes de 13 a 19 anos. Entre as meninas a história é mais grave, já que nos últimos anos houve um aumento de 63% nos casos da doença.
A estudante F.M*, de 21 anos, só mudou de atitude depois que contraiu o vírus HPV, causador do câncer de colo do útero. Há dois anos, num momento de empolgação, transou sem camisinha e deu azar. “Não passava pela minha cabeça pegar uma doença, o meu maior medo era engravidar! Mas dos males o menor, hoje eu poderia ser soro positivo”, conta.
O que é mais curioso é que, segundo a pesquisa da BBC, 99% dos brasileiros sabem muito bem que o HIV - e outras DSTs - são transmitidas por meio de relações sexuais desprotegidas e do compartilhamento de seringas com pessoas infectadas. Se quase todo mundo sabe disso, o melhor negócio é não dar sopa para o azar e se proteger MESMO!
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Para quem quer mais informações sobre esse assunto, uma boa fonte é o site da campanha Fique Sabendo, do Ministério da Saúde. É só clicar!
* Estes entrevistados preferiram não se identificar
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