Meninas descrentes
Como Barbara Novak (Zellweger) de “Abaixo o Amor”, muitas meninas hoje preferem sexo casual a namoro sério. O filme conta uma história na Nova York de 1962, uma década em que as mulheres começavam a ir à luta num mercado de trabalho machista.
A personagem Bárbara, no filme, escreve um livro e nele prega que as mulheres, na verdade, comandam a sociedade. O livro é uma ode ao poder e à carreira. Em nome deles ela prega o fim do amor e propaga o sexo à la carte - sem carinho, mas com muito prazer.
E hoje? O que leva as meninas a preferirem apenas ficar ou ainda levar um rolo sem compromisso? Descrença? Medo? Insegurança? Preferência? Imaturidade? Vamos ver se chegamos à alguma conclusão...
Julia Meyer, 19 anos, teve dois namorados na vida, e os dois não foram nada legais com ela. “Eu sempre fui legal, mesmo! Todo mundo sempre falou que eu era uma santa com eles. Um deles me traiu várias vezes com uma menina do interior e o outro me tratava mal, só perturbava minha vida”, explica ela. Este é o motivo para Julia ter desistido dos meninos: “sei que sou nova e que não é legal ter essa imagem pessimista, mas os meninos me cansaram. Hoje gosto de falar que eles só servem para a minha diversão, que homem em casa é trabalho”.
Ela não se sente carente, pelo contrário, acha que estar livre pode significar ter muitos homens em vista. Paquera bastante, concilia todos sem dar mancada com nenhum. E comenta: “tá, isso parece bem cafajeste, assim como os meninos são, mas a diferença é que eu não iludo ninguém, sou sempre verdadeira”, justifica ela. “Falta verdade nos caras, eles crescem achando que é bonito enganar as mulheres”.
“Se um menino me balançar? Ah, ai não sei o que vai ser não, mas te garanto que fujo de meninos apaixonáveis, hahaha”, brinca Julia. Para a psicóloga Mara Olimpia Jabur Saikali, quando as meninas passam por alguma experiência negativa com os meninos, elas tendem a se voltar contra eles ou passam a se comportar da mesma maneira como forma de defesa. O medo de ser traída ou abandonada faz com que as meninas cometam o erro que as fez ficar inseguras.
É importante se defender, não ficar dando sopa para menino cafajeste, mas o mau comportamento dos outros nunca vai justificar o nosso. Carla Martins, 19 anos, também era descrente. Achava os homens muito safados e preferia não assumir nada para não sofrer... Mas hoje ela está ótima e amando. Foi por meio da amizade que ela descobriu que nem todos os meninos são iguais. Ela achava que muitos meninos só queriam saber de zoar. “Então, pra eu não cair na deles, fazia o mesmo jogo”.
“Ja sofri muio por amor, então, pra confiar, precisa de muita, muita convivência! Eu acho que a amizade é a chave de qualquer relacionamento, afinal, um relacionamento não é só sexo, beijos e mãozinha dada no shopping, e sim é ter alguém ao seu lado pra poder compartilhar tudo”, conclui Carla. Ela diz que aprendeu a dar uma chance a eles, mas de vez em quando precisa tomar cuidado, ficar atenta para não ter nenhuma recaída.
“Não dá para ficar generalizando”, diz a psicóloga. “É preciso ter a cabeça aberta e não se apegar a crenças como 'os homens são todos cafajestes', só assim é possível conseguir se relacionar com o meninos”, completa Maria Olimpia Saikali.
Já para Camila Souza, 15 anos, combinou com as amigas de ficar com vários meninos e não ligar nunca de volta. “Nunca me zoaram, mas acho legal ser que nem menino, deixar eles loucos da vida, apaixonadinhos. Pô, sempre foi assim, a gente correndo atrás deles”, reclama ela. “Teve um menino que eu achava bem gostosinho e gente fina, aí ele quis namorar comigo. Minhas amigas falaram que se eu namorasse, elas não falariam mais comigo”, conta. Ela não achou esta atitude das amigas cruel, ela acredita que isso é o poder das meninas! “Não penso muito sobre isso, só acho legal zoar os meninos, um dia passa...”, revela Camila.
Bom, uma coisa deu para concluir: cometer o mesmo erro nunca é a solução. "Plantamos aquilo que colhemos" nos ensina esse famoso provérbio. A dica da psicóloga para as descrentes é sempre usar a intuição e a sensibilidade feminina para sacar qual é a de cada menino. Refletir e abrir a cabeça para entender o comportamento humano (e também o nosso) é o melhor caminho para não acabar sozinha, como a Barbara de "Abaixo o amor"...
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Essa é a Carla, que agora já não faz parte do time das descrentes...

Barbara, de "Abaixo o Amor"
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