Ah, se pudesse voltar atrás...
Por Letícia Zioni Gomes (contato@igirl.com.br)
Duas irmãs se empolgam na balada e dividem chamegos e beijinhos com o mesmo menino; uma turma de cinco amigas, entediadas numa tarde de estudos, ficam entre si; uma garota de 17 anos “cata” descaradamente o namorado da melhor amiga.
As meninas que protagonizaram tais histórias podem parecer ousadas – e realmente foram – mas hoje contam suas experiências cheias de arrependimentos. Confira:
Uma noite e nada mais... “O Ale vivia com a gente, então era quase como se fosse meu namorado também. Um dia, fomos a uma festa sem a Raiane, a namorada dele e minha amiga, e rolou um clima diferente. Ficamos escondidos naquela noite. Uns três dias depois, já bem estressada com a situação, acordei com a pele toda pipocada. Foi uma reação do meu corpo ao sofrimento que estava passando, me sentia a pior pessoa do mundo. E fui mesmo.”.
Essa é a história da Manoela, uma estudante carioca de 17 anos. A angustia e a alergia só passaram quando ela revelou a mancada à amiga. “A amizade esfriou, até hoje a gente pouco se fala, mas ao menos eu consertei em parte minha traição”, diz. “Queria muuuuito ainda ser amigona da Raiane”, desabafa Manô.
Para a psicóloga Bernardete Oliveira Campos, Manoela mancou, mas soube enfrentar a situação com maturidade. “Ela assumiu o erro e encarou as conseqüências de frente. Monoela vai carregar essa experiência por toda vida, mas mais como uma referencia de como é sofrível decepcionar uma pessoa, e como devemos evitar isso. Ela cresceu com a toda essa história”, acredita Bernardete.
Experimenta, experimenta! A estudante M.P, 15 anos, também sofre para esquecer o dia em que topou ficar com as amigas.
“Fomos fazer um trabalho para a escola na casa de uma amiga que mora só com a mãe, que naquele dia estava trabalhando fora. Estávamos enrolando para começar o trabalho e começou uma conversa de quem já tinha ficado com menina, se era legal, etc. Aí uma amiga sugeriu que a gente se beijasse para ver como é que era. Na hora pensei: “não quero beijar ninguém”, mas todas se empolgaram tanto que não tive coragem de recusar. Então rolou o 'troca-troca’ e eu beijei todas as minhas amigas na boca! Foi horrível, desisti do trabalho e fui correndo para a casa. Parecia que meus pais, meus irmãos, todos sabiam o que eu tinha feito! Passei um tempão me sentindo mal, sem quase falar com as meninas. Não gosto de lembrar, mas o arrependimento está passando aos poucos...”, conta M.P.
Segundo a psicóloga, “não há nada mais normal do que experimentar novas sensações, principalmente na adolescência”. O problema está no fato de M.P ter feito algo que não sentia vontade alguma. “Ela não queria ter passado por aquilo, por isso a dificuldade de lidar com o depois. Sei que é difícil, mas aprender a ir contra a vontade do grupo é muito importante para nos tornarmos pessoas autênticas e satisfeitas”, alerta Bernardete.
Se você pensa que cachaça é água... “A gente já tinha tomado umas três caipirinhas, então a animação era grande. Um menino da minha classe, por quem eu era apaixonada, estava na festa e eu fui falar com ele. A primeira coisa que ele me disse foi “quero ficar com sua irmã”. Fiquei mal, mas não perdi o rebolado e respondi: “então você vai ter que ficar comigo também”. Ele topou, minha irmã topou, e passamos a noite nos beijando. Todo mundo do colégio soube, e até hoje tem menino que pede para ficar com nós duas juntas. Odeio, odeio tudo isso”, conta a estudante pernambucana Sylvana Castro de Silva, de 19 anos.
“O álcool é um verdadeiro combustível para que a gente extrapole certos limites”, diz Bernardete. Por isso, quando beber, pense bem se você está agindo conforme seus valores, ou se apenas está sendo levada pelos efeitos do álcool”, aconselha a especialista. Para ela, é preocupante também o desespero de Sylvana em ficar com o garoto, mesmo ele preferindo sua irmã. “Com certeza sua angustia vem também do fato dela ter se desvalorizado tanto”, diz.
Se arrependimento matasse... Se você também já passou por situações das qualis se arrependeu depois, relaxe, ninguém morre de culpa.
“É na adolescência que a gente começa a formar nossos próprios valores; é o período certo para testarmos nossos limites, descobrirmos nossas preferências, consolidarmos nosso caráter”, diz a psicóloga. “E faz parte do crescimento essas pequenas escorregadas”, acrescenta.
Portanto, nada de se remoer com as más lembranças. Aprender com elas, essa é a palavra-chave. E o melhor, a ressaca moral passa, pode crer que passa.
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Manoela ficou com o namorado da melhor amiga e, mesmo revelando tudo, ainda sente um tremendo remorso

As irmãs Sylmara e Sylvana dividiram o mesmo menino numa noite, anos atrás. Até hoje se incomodam com a má reputação
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