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Mas afinal, o que é fidelidade?

Por Letícia Zioni Gomes (contato@igirl.com.br)

Fidelidade num namoro pode parecer uma coisa bem óbvia: a regra básica é que nenhum dos dois pode ficar com uma terceira pessoa. Mas será que hoje em dia esse conceito é assim levado à risca? Sem dividir as coisas entre certas e erradas, a questão é que a vida e os relacionamentos tornaram-se ainda mais complexos. Porque hoje você namora virtualmente; beija na boca sem estar apaixonada; divide casinhos entre amigas. São tantas as possibilidades de envolvimento, e a forma com que você lida com isso, que a tal obviedade falada lá em cima se perde, e sobra a pergunta: mas o que é fidelidade?

A estudante paulistana Clarissa Gurjão, de 17 anos, namorava o Serginho, seu vizinho, e também o Adauto, um carioca que conheceu pela internet e que nunca chegou a ver pessoalmente. Se os dois sabiam da existência um do outro? “Sim, lógico. Não pretendia me encontrar com o Adauto, então o Serginho ficava numa boa”. Sobre o porquê dela namorar dois ao mesmo tempo, Clarissa diz: “o Adauto é um poeta, supersentimental, a gente trocava mensagens lindas. Já o Sé é do tipo engraçado, esportista, lindo fisicamente”.

Resumo da ópera: o que faltava em um namorado, Clarissa encontrava no outro. Para a psicóloga Joyce Mello, muita gente trai em busca de um aspecto que falta em sua relação. Tipo o menino que trai sua namorada porque ela não quer transar, ou a menina que fica com um rapaz só porque seu namorado não é carinhoso o suficiente.

Se é de comum acordo, quem pode julgar as escolhas do trio? Será que estando todos conscientes e topando, esse caso caracteriza infidelidade? Certamente não. Mas quando a coisa não é clara como no caso de Clarissa, voltamos a uma questão óbvia, e dessa vez sem direito a casos de exceção: não, não é legal suprir a falta de afeto ou qualquer outra coisa traindo seu companheiro. Nenhuma relação é perfeita, se algo lhe faz falta, ou você resolve conversando, ou acaba o namoro, não?

“Quando pensei em trair meu namorado, percebi que alguma coisa estava errada no meu relacionamento”, conta a estudante Mariana Alberto de Mello, 20 anos. Para a psicóloga Joyce Mello, “a traição tem um papel importante dentro de um relacionamento. Faz as pessoas pararem e pensarem sobre o que está acontecendo. E aí vão tomar consciência de muitas coisas”.

O músico F.B, de 27 anos, namora uma menina que é bissexual O relacionamento é supersério, eles praticamente moram juntos e se dizem fiéis um ao outro. Só que a namorada de F.B já beijou “umas duas” meninas desde que eles começaram o romance. Na opinião do músico, ela ficar com meninas não caracteriza uma traição “porque isso não chega a ser uma concorrência”. “Sei que não vou perdê-la para outra menina”, confia ele.

Fetiches à parte, o músico se baseia num trato feito com a namorada. “Ela me explicou que acha divertido beijar, mas que não tem a intenção de namorar uma menina. Diz que gosta mesmo é de se relacionar com homens”, conta. Segundo a psicóloga, “traição não é apenas quando um terceiro elemento entra no relacionamento, mas quando determinadas atitudes que partem do outro são interpretadas como uma ameaça”. É por isso que F.B fica confortável nessa situação: ele não se sente ameaçado.

O namorado, “extremamente ciumento” de Marília, de 25 anos, pediu para que ela parasse de se comunicar com o ex. Ela concordou “já sabendo que não acataria de jeito nenhum o pedido”. A história de Marília pode ser considerada uma traição? A resposta é ‘não’, se tomarmos por base os mandamentos da sociedade, mas ‘sim’ se pensarmos que ela não está sendo fiel a um acordo que fez com o namorado.

São justamente esses acordos que une os casos de Clarissa, F.B e Marília. Cada relacionamento, a seu modo, é sustentado por um combinado prévio. Graças aos entendimentos entre os envolvidos que a fidelidade é hoje um conceito relativo, que se desdobra conforme os valores e os desejos do casal.

Uma boa maneira de lidar com a fidelidade num relacionamento é discutir francamente com seu namorado ou pretendente sobre o que ela significa para vocês. Estipulada as regras, tudo fica mais fácil.
 
Agradecimentos:
Psicóloga Joyce Mello (joymello@ig.com.br)

















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