Adesivo anticoncepcional
Por: Paula Balsinelli
O anticoncepcional em forma de adesivo ainda é uma novidade no mercado de contraceptivos (métodos que evitam a gravidez). O adesivo foi lançado nos EUA em 2002 e chegou ao Brasil no início de 2003. Ele é bege claro* e pode ser fixado em várias partes do corpo da mulher.
Deve ser trocado uma vez por semana, durante três semanas consecutivas, com uma pausa na quarta semana, quando ocorre a menstruação.
O adesivo, que custa por volta de R$40 reais, é comercializado pelo laboratório Janssen-Cilag, uma empresa farmacêutica internacional que faz parte da família Johnson & Johnson*.
Segundo Abner Lobão, médico ginecologista responsável pela área feminina da Janssen-Cilag, o método é tão eficaz quanto a pílula, ou seja, é 99,4% confiável.
O ginecologista Luis Ferraz de Sampaio Neto, diretor da unidade de Medicina da PUC-SP, diz que o método pode ser usado por mulheres de todas as idades. Segundo ele, a composição hormonal do adesivo é de baixa dosagem, se comparado com a pílula, o que provoca menos efeitos colaterais.
“A pílula passa pelo intestino, fígado e depois cai na corrente sanguínea. Já o adesivo é absorvido pela pele e logo cai na corrente sanguínea. Desta forma, a quantidade de hormônio do adesivo pode ser menor do que a da pílula, mas o efeito é o mesmo”.
Para Abner Lobão, uma outra vantagem do adesivo é que o risco de esquecimento diminui, já que o adesivo é trocado só uma vez por semana.
Gruda mesmo? Segundo Abner Lobão, um teste feito em 305 pacientes em lugares quentes dos EUA mostrou a eficácia da aderência do produto. “Testamos em mulheres que nadam e freqüentam praias e academias, sempre tivemos ótimos resultados”, diz.
Dr. Luis Ferraz de Sampaio Neto se mostrou satisfeito com a aderência do adesivo. “Utilizei em 50 pacientes e apenas 5 delas queixaram-se do descolamento”, conta.
E se cair? Nos casos de descolamento, a empresa Janssen-Cilag orienta que o adesivo seja recolocado imediatamente. Mas, se a mulher desconfiar que isso ocorreu há mais de 24 horas, o adesivo deve ser trocado, e outro método contraceptivo deve ser usado por sete dias.
Este tipo de imprevisto deve ser melhor orientado por um médico ginecologista, que poderá avaliar o caso de forma específica, afastando o perigo de falha no tratamento.
Como usar? O produto deve ser colado em locais como: nádegas, abdome, parte superior das costas ou parte superior dos braços. Não há estudos científicos sobre a eficácia do produto em outras regiões do corpo. Não se deve aplicar nos seios ou em locais sob pressão ou atrito, como na sola dos pés ou sob o elástico de roupas íntimas.
Pontos negativos Para o ginecologista Luis Ferraz de Sampaio Neto, o custo pode ser um ponto negativo, já que o produto custa o dobro das pílulas de última geração.
Também existem mulheres que não se adaptam ao adesivo, elas ficam incomodadas e irritadas. Com relação a alergias, poucos casos foram constatados.
Os adesivos podem disparar possíveis efeitos colaterais (náuseas, cefaléia, desconforto abdominal e cólica menstrual), assim como nos casos dos anticoncepcionais administrados via oral. O desconforto nas mamas tende a ser maior nos dois primeiros ciclos. Mas, a partir do 3° ciclo, vai se normalizando.
Usar ou não usar? Anticoncepcional é coisa séria, por isso, não deve ser comprado no "chutômetro”. Para escolher o melhor método contraceptivo é necessário contar com a ajuda de um médico ginecologista. Ele poderá te orientar quanto à escolha e o uso.
Vale lembrar que o objetivo do anticoncepcional é evitar a gravidez. Mas só com o uso da camisinha é possível se proteger contra a Aids e Dst.
*Outras cores estão sendo avaliadas para um futuro desenvolvimento.
*Ainda não existem produtos similares de outras marcas.
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