Namorar pra quê?
Lá está você em mais uma festa de família, quando uma tia velha chega junto e solta a tradicional pergunta:“Tá namorando bastante, minha filha?” A câmera corta para sua cara de desgosto, e você responde bem xoxa: “sim, tia, hehe”.
Por que será que toda tia insiste em atuar nessa cena tão clichê do cotidiano familiar? Deve ser porque para ela adolescência é fase de se divertir bastante, conhecer muitos rapazes e um belo dia encontrar o príncipe encantado e aí sim ter o final feliz: casar, ter filhos, constituir família.
Caretices a parte – numa coisa elas estão certas: a gente tem mesmo que namorar demais na adolescência. É saudável, gostoso e a gente aprende a se relacionar, certo? Algumas meninas não pensam assim...
“Não vejo sentido em estar com um menino se não for pra passar o resto da vida com ele”, é o que pensa a estudante Stéfany Almeida Caranza, no auge dos seus 13 anos. A mesma opinião é compartilhada pela irmã, Sofia, de 15 anos, que está com Rafael há dois meses e já planeja o casamento. “Acho que ele é um menino ideal, um menino que eu vou gostar pro resto da vida”, diz.
É normal estar namorando e, de tão apaixonada, acreditar piamente que seu “namo” é o cara da sua vida. Vocês discutem qual será o nome dos filhos, onde vão morar quando crescerem e tudo mais. O problema está em depositar todas suas fichas na relação.
O problema número dois está em se comportar como uma noivinha, se fechando para as inúmeras experiências que essa fase da vida proporciona. O problema número três é passar a vida procurado o “tal” príncipe, como se apenas uma ficada, ou um namorico, não fosse o suficiente para se divertir. “Nunca fiquei com um menino que não tivesse vontade de namorar depois”, conta Sofia.
“Se a menina acredita que aquele romance será pro resto da vida, ela invariavelmente vai agir como uma pessoa comprometida, vai dar um valor muito maior ao namoro, e isso não pode ser tão legal quando se tem tão pouca idade”, acredita a psicóloga Vera Lucia Morais, da clínica de psicologia da PUC – SP. O bacana, na opinião da psicóloga, é que o casal “tenha em mente que estão vivendo o namoro mais como uma experiência amorosa do que um compromisso futuro”.
Segundo ela, a palavra ideal para descrever como devem ser os namoros da adolescência é “desencanado”, o que não exclui responsabilidade e respeito para com o namorado.
Desencanado é a última palavra para comentar o namoro de Stéfani e de Alberto “Bico” Curi. Nele, não há espaço para amigos, viagem sem o parceiro, uma tarde livre se quer. “Sei que somos exagerados, minha mãe fica superpreocupada, mas quero crescer ao lado do Bico. Imagina, daqui alguns anos, não vai ter uma coisa sobre a vida dele que eu não vou saber”, diz a menina.
Para a administradora Patrícia Brizolla, 25, que namora há 12 anos com o engenheiro Augusto Pacheco, namorar desde tão cedo trouxe uma série de problemas. “Minha vida é totalmente ligada ao Guto, não há uma lembrança da adolescência que ele não faça parte. E o pior é que eu ainda não casei! Sonho há ‘apenas’ 12 anos com isso, e por enquanto nada”.
“Todo mundo fala que um dia a gente vai se separar, e ai os dois vão casar com outros namorados depois de três meses de relacionamento”, brinca Patrícia.
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