Quando bate os 17 anos uma questão cruel espera para ser resolvida, a escolha da profissão. Eu pensava em fazer engenharia elétrica, mecatrônica ou qualquer outra profissão "tipicamente masculina", e isso só para me diferenciar das meninas "nhe nhe nhe". Elas usavam a barra da calça enrolada pra cima, só pra mostrar os cambitos, um terror!
Sábio foi o destino que me impediu de tomar essa péssima decisão. Hoje eu me pergunto: e se eu tivesse optado por engenharia elétrica? O curso não tem nada a ver comigo, menos ainda a profissão! É melhor nem pensar...
Nessa idade não estamos maduros, nem verdes, é uma fase de transição, meio enrolada (como as benditas calças), onde as idéias mudam com freqüência. E é exatamente no meio deste furacão que temos que escolher a tal da profissão. Sempre acaba rolando uma pressão, tem gente que sai do segundo grau seco pra se matricular na faculdade, seja ela qual for, como se isso fosse uma obrigação ou caso de vida ou morte.
Êpa, pé no freio! Primeiro é preciso que você tenha certeza do que quer, nem que isso signifique esperar um pouco mais. Sim, porque não adianta se matricular em qualquer curso e depois trancar a matricula porque descobriu que "não era bem aquilo".
Pior quando os pais também são afobados. Parece que o mundo vai acabar se a garota ou o garoto não entrarem de imediato na faculdade. Muitas vezes, dar um tempo é bom, o cursinho pode preencher esse buraco de tempo enquanto você não se decide (mas não vai virar vagal, olha lá!).
Mais irritante do que os pais afobados são os pais que impõe uma direção, isso sim é um problema. Eles podem comprometer seriamente a felicidade do filho, já que determinam uma profissão com base - na maioria das vezes - em status, tradição e dinheiro.
Na verdade, eles não fazem por mal, pelo contrário, querem o melhor pra você, mas é preciso tomar cuidado pra não entrar em fria "comprando" os sonhos deles. É preciso ouvi-los sim, mas não esqueça de ouvir a si mesmo. Desencane de chantagens monetárias, do tipo, "se você fizer engenharia eu te dou um carro". não venda seu futuro.
Eu conversei com a professora Maria Conceição Uvaldo, que é coordenadora do serviço de orientação vocacional da USP. Ela disse que a melhor forma para lidar com os pais é não bater de frente, o caminho é convidá-los para pesquisar com você sobre os cursos que te interessam. Pesquisem as matérias do curso em questão, como é o estágio, quais são as possibilidades de trabalho, e se tudo isso combina com você.
Além disso, tenha em mente que a gente nem sempre exerce a função clássica da profissão escolhida. Por exemplo, quem faz direito não precisa trabalhar como advogado, existem diversas outras possibilidades dentro da área, como desembargador, juiz, consultor, delegado, administrador etc e tal. E isso se repete em todos os outros cursos e profissões, as coisas não estão engessadas, o barco corre de acordo com a correnteza: o mercado de trabalho.
Ah, este é outro assunto importante, o mercado de trabalho. Há algum tempo todo mundo fazia administração, e eu pensava comigo, "ai que coisa chata, todo mundo faz a mesma coisa, é muita gente pra pouca empresa". Agora os cursos "da hora" são publicidade (profissão considerada glamurosa e "muito louca") e moda (mundinho para poucos, mas com grande superexposição na mídia).
Não estou dizendo que esses cursos não são legais, claro que são, mas não adianta a galera debandar pra essas áreas, cuidado com as profissões da moda, em alguns anos tudo estará diferente.
Tem também as profissões que "dão dinheiro", e grana é uma coisa que pesa muito na decisão. A professora Maria Conceição me disse que essa questão anda atormentando muitas cabecinhas por aí. Segundo ela, o melhor a fazer é uma analise das opções que o mercado oferece nas áreas de suas preferências (mas não esqueça que você vai se formar em 4 ou 5 anos).
E os perdidos? Gente perdida na faculdade tem de monte, na minha classe da faculdade tinha gente fazendo jornalismo porque gostava de assistir televisão, mas não suportava sujar a mão com a tinta de jornal. Não, não é mentira, pior que é sério!
É o tipo de escolha baseada no "achismo", que rola na afobação, esse tipo de aluno acaba desistindo do curso ou acumulando quinhentas dp´s, tem aqueles que desencanam e partem para o lado "social" da faculdade. Pena, poderiam ser brilhantes em outras áreas.
Se você tem dúvidas infinitas, procure um serviço de orientação vocacional. Um psicólogo poderá despertar as respostas que já estão dentro de você. E cuidado com os exemplos de pessoas que "deram certo na vida", cada vida é uma vida, ou você acha que as histórias se repetem?
Anote aí: + Serviço de Orientação Vocacional da USP Av. Prof. Mello Moraes, 1721, Bloco D - Cidade Universitária. Mais informações pelo telefone (11) 3091-4172 Clique aqui para mais detalhes
+ Pra quem não está em São Paulo, várias faculdades de psicologia oferecem serviço de orientação vocacional. Informe-se!
O que dá nos nervos Meninas que desfilam suas roupas caras pela faculdade, argh... Vai fritar um ovo! (E você? O que te deixa irada na escola ou facul? Mande sua resposta para o Papo Nervoso. Não perca a próxima coluna e mande as suas sugestões!)