Nós recebemos muitas dúvidas de meninas que sofrem com cólica terríveis e não sabem o que é. Se você é uma delas, fique esperta!!! Isso pode ser um sintoma da endometriose.
Para tirar suas dúvidas e esclarecer mais esse assunto, nós do iGirl consultamos nosso Dr. Gineco, e o Ginecologista Dr. Arnaldo Cambiaghi.
O que é endometriose? A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial (tecido que reveste internamente o útero) fora da cavidade uterina. Quando a menina menstrua, junto com o sangue sai uma película, o endométrio, que começa a crescer mo primeiro dia da menstruação e vai até o 14º dia. Essa película serve para a mulher engravidar, é como se fosse o ninho do bebê. Quando a menina não engravida, ele vai se descamando e sai com a menstruação. Mas em alguns casos, ao invés de descamar, o tecido vai para o interior do abdômen e passa a se chamar endometriose, se alojando em áreas como os ovários, trompas e intestinos.
Por que é chamada de doença da vida moderna? Antigamente as mulheres nasciam para reproduzir e tinham filhos ainda adolescentes. Como hoje a maioria das mulheres têm uma carreira e outras atividades, acabam engravidando pouco e com mais idade. Dessa forma elas menstruam mais que as de antigamente e têm mais chances do tecido endometrial cair em seus abdomens.
O que causa a doença? Uma das causas é o refluxo menstrual, que é quando a menstruação vai para outras partes do corpo ao invés de “descer”. Outra é a causa imunológica, ou seja, a menina não tem a capacidade de impedir que as células do endométrio se multipliquem. Outra é a metaplastia, que é quando células comuns se transformam em células de endométrio.
Quais os sintomas?O sinal mais comum é a cólica muito forte, do tipo que te impede de ir ao colégio ou fazer qualquer outra atividade. Dores muito fortes e inexplicáveis durante a transa também podem ser um sinal. Menstruação irregular e excesso de sangramento também são outros indícios.
Isso pode acontecer com qualquer pessoa? Sim, com mulheres no período reprodutivo, ou seja, que menstruam. Apesar de ser mais comum em mulheres de 30 a 40 anos, as adolescentes não estão fora de risco.
Quais as conseqüências? Existe uma chance de 30 a 40% de infertilidade, além de muita dor e cólicas. Além disso, a pessoa pode perder os ovários se esse tecido ficar implantado nos ovários.
Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico pode ser feito através de um ultra-som ou por um exame de sangue chamado CA 125, que podem apontar indícios da doença. Mas a única maneira de ter certeza é olhar dentro do abdômen, com um exame chamado videolaparoscopia, uma pequena cirurgia feita em hospital.
Tem cura? Existe um mito de que não existe cura para a doença. Mas um tratamento com um profissional especializado no assunto é indispensável. E por ser uma doença crônica, ela também é curada com a menopausa, ou seja, quando os ovários param de funcionar.
Como é o tratamento? Isso depende da idade da paciente e do grau da doença. Mas o principal é a prevenção, procurar descobrir o mais rápido possível. A dor é tratada através de medicamentos com ou sem hormônios: analgésicos, anti-inflamatórios, anticoncepcionais. O DIU pode ser uma opção. Se a mulher planeja ter filhos, ela pode engravidar com a ajuda de médicos.
E para as adolescentes? Qual é o melhor remédio? Sem dúvida é o anticoncepcional, porque a quantidade de hormônios utilizada é menor que nos tratamentos para mulheres adultas. Ele não deixa o tecido proliferar muito e menstruando pouco, não há a formação do tecido endometrial todo mês.
Agradecimentos: Dr. Vilmon de Freitas, Coordenador do Setor de Reprodução Humana do Departamento de Ginecologia da UNIFESP. Dr. Arnaldo Cambiaghi, Especialista em Reprodução Humana do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia