Imagine-se no meio de um monte de gente da sua idade. Vocês estão numa sala de aula e as portas estão fechadas. Ninguém é seu amigo neste lugar, pelo contrário, as pessoas não gostam de você. O motivo? Não existe, você jamais prejudicou nenhum deles.
Essas pessoas te provocam todos os dias, escrevem frases de deboche com o seu nome e desenham caricaturas maldosas. Eles te empurram, mesmo quando você não atrapalha, escondem as suas coisas, cospem na sua roupa e dizem que vão te bater. Você passa todos os dias pelas piores humilhações e agressões morais que jamais imaginou. Quando eles estão calmos, você só sofre um pouquinho.
Gostou da experiência? Não, né? Pois acredite, histórias como esta acontecem todos os dias em escolas públicas e particulares de bairros pobres e ricos. Chamam de Bullying o desejo consciente de maltratar uma pessoa e colocá-la sob tensão.
Traduzindo: um valentão da classe detecta um "colega" aparentemente indefeso - ou um pouco diferente - e "encarna" nele. Os amigos - que acham o valentão o máximo - também entram na onda. Logo toda a classe vai zoar da cara da vítima. São trinta, quarenta, cinqüenta alunos contra um.
Eu já presenciei essa situação na escola e o que mais me assombrava era o descaso de como a vítima era tratada por aqueles que poderiam socorrê-las. Parece que as pessoas não entendem a gravidade da situação. Simplesmente dão conselhos tolos, como: "se você ligar é pior, deixa pra lá, você sabe que é uma pessoa legal". Desculpa, mas isso não adianta nada.
E o mais intrigante de tudo: o que leva uma pessoa a detonar a outra de forma tão diabólica? Falta do que fazer, falta de consciência do que está fazendo, vontade de se aparecer, um desejo nefasto? Eu não sei. Só sei que não é brincadeira da idade, nem só coisa de menino, segundo a educadora Cléo Fante, autora do "Fenômeno Bullying" (Editora Verus), as meninas também entram na onda, copiam os maus comportamentos dos colegas e estão cada vez mais violentas.
Às vezes, um simples apelido repetido á exaustão, pode provocar traumas terríveis numa pessoa. No livro, Cléo Fante lembra de casos de alunos vítimas de bullying que se mataram ou sofrem de traumas, depressão, entre outros problemas psicológicos. Tem história de dar nó na garganta.
E daí que uma pessoa é diferente das outras? Ela pode ser mais quieta, mais gordinha ou magrinha, não gostar de futebol ou ter menos ou mais dinheiro. Isso não importa. Lidar com as diferenças pode ser muito legal, mesmo porque, o mundo anda um tédio!