Garotas ligadas no 220 volts, isso é legal?
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Vamos conversar sobre um tema peculiar: a minha impaciente pessoa. Quem me conhece sabe bem do que eu estou falando, basta uma semana de convivência pra sacar:

- Ei, mocinha, você é meio agitada né? Sempre foi assim?
- Sim, sempre fui ansiosa assim, e fala mais rápido da próxima vez, hehehe

Ter ansiedade, em momentos específicos, é normal. Conversei com a psicóloga Eliane Gasparini, que me explicou isso: "Quando o homem das cavernas precisava estar atento e preparado para enfrentar o perigo da caça, podemos pensar que a ansiedade tinha um efeito benéfico, pois o deixava alerta para o perigo". Assim, podemos dizer que a ansiedade faz parte da natureza humana, ela aprece quando encaramos situações especiais.

Mas diferente de ter ansiedade é ser uma pessoa ansiosa 24 horas por dia. Ansioso é aquele que não dorme pensando no que vai fazer no dia seguinte, e no seguinte também. Ansioso vai ao restaurante e come rápido, depois fica atormentando o amigo - que ainda está no meio da refeição - para ir embora logo. Ansiosa é uma pessoa que se irrita com gente que não é ansiosa, não suporta filas, e nem filme longo, e nem tudo que demore muito.

Segundo a psicóloga, a ansiedade normal tem um limite. "No momento em que o homem passa a viver os sentimentos desencadeados pela ansiedade, temos uma situação ruim para o bom funcionamento físico e emocional do indivíduo".

Faz mal pro indíviduo? No caso, eu?

Demorei muito tempo pra me tocar disso, a ansiedade prejudicava a minha vida. Eu vivia muito rápido, até curtia isso, mas também perdia muita coisa boa, coisas que só quem vive com calma consegue desfrutar. Quando eu percebi, eu já tinha mais de 20 anos. Tarde demais? De jeito nenhum, mas a tal garota ligada no 220 volts tinha criado um problemão para si mesma: a minha ansiedade já não era mais 'normal' e eu tinha perdido as rédeas, o negócio estava ficando feio pro meu lado.

"A pessoa não consegue mais um estado de relaxamento e começa a apresentar diversos sintomas que surgem no Transtorno Ansioso".

Oh não, me tornara uma transtornada! Realmente as coisas me irritavam, relaxar era quase impossível - exceto frente a uma barra de chocolate. Cheguei a ponto de escolher os filmes por tempo de duração, chegava uma hora antes em qualquer compromisso, e por aí vai. Daí eu percebi que eu vivia sempre um tempo à frente do real, com a cabeça no "depois". 

Fui no médico e ele confirmou o diagnostico de transtorno de ansiedade. Ferrou, precisei tomar uns remedinhos por um tempo, e o mais difícil, mudar meu jeito de ser, daí ferrou mais ainda. Como eu mudaria meu jeito de ser? Foi paulera, é paulera, porque ainda me policio pra não perder a mão. E se tem uma coisa que eu aprendi e gostaria que vocês soubessem, é que, no ônibus, no cinema, em casa ou na rua: tudo é vida!

"Existem vários tipos de tratamento para ajudar a pessoa a lidar com a Ansiedade: as psicoterapias, os tratamentos medicamentosos e as técnicas de relaxamento. O mais importante é que cada um possa encontrar um profissional competente, independente da escolha do tratamento. Também é preciso que a pessoa aprenda uma nova forma de lidar com a ansiedade e não só controle os sintomas que são desencadeados por ela".


Minhas dicas pra driblar a ansiedade

  • Almoce com um amigo que coma devagar e tente manter o mesmo ritmo
  • Ao comer, tente decifrar o tempero dos alimentos  (a editora do iGirl me ensinou essa, hehehe)
  • A concentração fica mais fácil com música clássica
  • Não xingue a quinta geração do motorista lerdo do busão, olhe para fora e tente contemplar os pequenos detalhes
  • Respire profuuuundamente
  • Pratique um hobby. Você não precisa ser perfeito nisso, é só curtir
     

Queria agradecer os e-mails fofos das meninas e também de alguns meninos. Mande sugestões para a próxima coluna. Aquele abraço pra vocês!


Agradecimento:
Eliane V. Rovigatti Gasparini
Psicóloga, mestre e doutoranda em Psicologia - PUCCAMP
Psicóloga do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia -IPGO





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