Eu bebo, sou legal, sou f***
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Ficar bêbado é engraçado, é bacana, muito loco. É legal chegar na escola e falar que encheu a cara no final de semana, ou no trampo, contar que vomitou bílis na valeta, afinal de contas, todo mundo gosta de gente meio maluquinha, néh? E daí, quem não bebe se sente um otário, um babaca que não aproveita a vida, praticamente um jovem-velho.

Tem gente que vai pra balada só pra ficar breaco, como se isso fosse um compromisso ou uma obrigação, algo do tipo “vamos beber e viver a vida intensamente”. Dia desses, uma menina me disse que misturou vodca com groselha pra conseguir beber mais. “Fica docinho, nem dá pra sentir o gosto forte do álcool”. Raios! Se não quer sentir o gosto por que bebe? “Ah, sei lá”, ela respondeu.

Não me contentei com o “sei lá” e fui em busca de uma resposta menos “Patropí”, foi então que conversei com o médico psiquiatra Marcelo Niel, que é coordenador do setor de assistência do programa de orientação e atendimento a dependentes da Unifesp. Segundo ele, o que leva um jovem a beber é o mesmo fator que o leva a experimentar o sexo e a diversão, o nome disso é curiosidade.

“A adolescência é um período de descobertas e é relativamente comum um jovem desejar novas experiências, esse não é o problema. O uso de álcool passa a se tornar um problema quando se configura um padrão de uso que vai além da experimentação ou mesmo do uso social e passa a trazer prejuízos na vida da pessoa.” Daí eu te pergunto: O álcool é necessário para a sua vida? Suas baladas dependem disso para serem boas?

A questão importante é que os jovens estão começando a beber cada vez mais cedo, e de forma mais pesada, o que aumenta o risco de dependência. Acredite, o primeiro empurrão rumo ao copo é geralmente dado em casa. “Em muitas histórias de pacientes que se tornaram dependentes de álcool, o primeiro ´gole´ foi oferecido pelos pais”, conta Marcelo.

O álcool é tão traiçoeiro que até uma pessoa “não viciada” pode se ferrar por causa dele. Muitos já se deram mal simplesmente por estarem no banco de passageiro de um motorista beberão, ou numa balada aparentemente inofensiva, que se transformou num desastre por causa de um pudim de cana metido a machão.

Por que todo mundo acha que álcool é legal?
O Dr. Marcelo fala de alguns aspectos importantes referente a esta questão. Segundo ele, o álcool está presente na nossa vida como um elemento de socialização e comemoração em praticamente todos os meios sociais. Exemplo: a cervejinha que acompanha o churrasco, o licor depois da refeição, o vinho quente no friosinho, o brinde com champagne na virada do ano. Claro que ninguém se torna dependente de álcool por isso, contudo, lidar com o dúbio conceito sobre o álcool (ele é bom ou ruim?) não é lá muito fácil.

Diversas outras coisas contribuem para o movimento “beber é coisa de gente legal”, como os comerciais de cerveja. Putz, esses são os mais sem noção. Cenas típicas:

  • Uma mina linda e magérrima aparece segurando uma garrafa de cerveja  “molhadinha”, ela suga loucamente a cerveja com a boca no gargalo. A gente não é trouxa:  pelo tamanhico da cintura, ela deve tomar chá verde, no máximo.

  • Amigos se encontram depois do trabalho, todos estão alegres, sorridentes, entortando o caneco e cantando juntos. A gente não é trouxa: na vida real eles estariam meio pra baixo falando mal do chefe, ou bebendo pra esperar o trânsito aliviar. Ah ... e caras não cantam juntos no bar, no máximo na torcida organizada.

Então é isso
Beber não é necessariamente prejudicial ou destrutivo, como tudo na vida, a medida certa das coisas dita o nosso sucesso ou fracasso. Administrar não é muito fácil, requer uma pitada de maturidade, mas um bom começo é não ir pela cabeça dos outros. E acima de tudo, ganhar a “admiração” alheia pelo simples fato de beber não é legal, é idiotice. Seja admirável por ser inteligente, amiga, bacana, simpática, gente boa ... se isso faz sentido pra você.

Bjs :)


Agradeço a entrevista:Dr. Marcelo Niel 
Médico psiquiatra e coordenador do Setor de Assistência
do Programa de Orientação e Atendimento
a Dependentes (PROAD) – UNIFESP
Rua dos Otonis,887 – Vila Clementino
Fone: (11) 5579 – 1543
http://www.proad.unifesp.br/





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