A felicidade está no presente
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Renatinha acorda bem cedo para ir ao colégio. Antes de sair de casa ela toma um café magro e, com um pouco de esforço, resiste ao bolo de fubá cremoso e aos biscoitos amanteigados. Um tapa no visual e urgh ... “deveriam inventar a pílula do cabelo liso”, resmunga. Já no ônibus: empurra de cá, aperta de lá e finalmente surge um lugarzinho pra sentar.

Renata chega no colégio por volta das oito horas, no decorrer da aula ela anota tudo o que o professor fala, seu sonho é ser juíza. Na hora do intervalo o veneno corre solto, ela conversa com as amigas sobre os caras da classe “que são uns esquisitos”, e das garotas, “que são umas oferecidas”.

Bate meio-dia, mochila nas costas, é hora do retorno, mas dessa vez de carro, a mãe vai buscar. No percurso ela discute umas quatro vezes com a Dona Sandra, ora por causa do som brega, ora por conta do sapato brega e tem também o esmalte brega da mãe.

Almoço na mesa, caderninho e caneta na mão. Renatinha anota as calorias que come e implica com a irmã só porque a caçula não curte refri diet.

Renata acha as suas tardes um saco, isso porque a avó, que mora na mesma casa, gosta de assistir às novelas da tarde da seção “Vale a Pena Ver De Novo”. A garota queria mesmo assistir MTV, mas Dona Maricota prefere o romance.

No quarto, sozinha, Renatinha revisa a lista de tudo o que deseja comprar, e cada vez que acrescenta mais um item, jura que vai casar com um homem rico. O marasmo da tarde entedia Renatinha que resolve tirar um cochilo. Ela dorme e finalmente consegue um pouquinho de paz, nos sonhos ela é uma garota feliz.

Renatinha, Let´s go
 
De verdade, eu conheço algumas Renatinhas, o nome é meramente ilustrativo, são pessoas que enxergam a felicidade lá longe ... Elas “sonham” com o encontro perfeito, com a calça da Diesel, com o corpo de uma top. Jogam pra um futuro indeterminado toda a alegria que querem ter hoje. Ou pior, choram e choram o leite derramado, lamentam por um passado que poderia ter sido melhor e, geralmente, culpam alguém pelos seus fracassos.

Não sou psicóloga nem nada. Mas eu consigo me divertir bastante com a minha vida. Não, eu não tenho uma calça da Diesel nem o corpo da Gisele, e diga-se de passagem, derrubei um copo de cerveja na minha calça no primeiro encontro com o meu namorado. Contudo, eu tenho uma coisa que não troco por nada – talvez por um punhado de dólares, zuera -  o bom-humor. Sim, porque se você quer ser feliz, ah ... vai ter que rir muito de si, dos outros, das coisas. E também sorrir, para o espelho, para os outros, para o mundo. Alguns pensamentos para a posteridade:

  • Saladinha e nada mais: comer também é prazer, vamos admitir isso gente? Nada mais chato do que uma pessoa que repara no prato dos outros, que fala que o risoto tem mil calorias, que ostenta a magreza como se isso fosse um prêmio. Ah, dá um tempo, vá? Disk Pizza e seja feliz! Também não precisa fazer isso todos os dias, senão perde a graça!

  • E o despertador toca: ok, é um saco acordar cedo, mas quando eu sinto o cheiro de café no ar ... nossa... que reconfortante! Aí está um tiquinho de felicidade, no cheirinho do café às seis horas da manhã, você já reparou nisso?

  • Sacomã 477A: andei muito tempo de Mercedez (leia-se busão), não vou falar que é a coisa mais agradável do mundo, principalmente em São Paulo, onde o transporte público é tão precário. Mas em vez de olhar pra baixo, para as paredes sujas, olhe para fora, olhe para o céu, olhe para as pessoas na calçada. Quem elas são? Pra onde estão indo? A imaginação é um bom lugar pra se refugiar de vez em quando.

  • Venenosa: geralmente os linguarudos são infelizes. Pode perceber, uma pessoa que fala muito da vida alheia carece de vida própria. Então, em vez de falar que as meninas são “oferecidas”, fale de coisas boas, divertidas ou do último filme do Johnny Deep.

  • A bruxa mãe: tem uma fase da vida da gente que rola uns conflitos com os pais. Mas eu acho que nada justifica agressão explícita. Não tem coisa mais batida do que adolescente ranheta (adoro essa palavra!).

  • Eu quero, eu quero, eu quero: a melhor parte de uma festa é a espera, e a melhor parte de ter uma coisa é desejá-la. Curta isso.

  • Os pais dos seus pais: é tão legal ouvir as histórias deles! A minha avó me contou que quase casou com um moço rico da fazenda. Na décima-quarta vez que ela relatou a história, eu até já sabia a fala do carinha. Mas e daí ? É divertido. E digo mais, quando minha mãe reclamava das brigas com minha irmã, meu queridíssimo avô dizia: “Isso não é briga, briga é quando um vai pro hospital e o outro pra cadeia”. Sábios avós!

  • A tal pílula do cabelo liso: Veja bem .... poxa, eles deveriam inventar isso mesmo.


Felicidade é quando a banda da vida da gente
vem pro Brasil, e a minha vem!
Música pra agitar: Do The Evolution
Música pra sonhar: Light Years

 

BJS! Paula





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