Muito já foi dito sobre a Aids, mas pelo jeito ainda vamos falar sobre ela por um bom tempo. Estima-se que 600 mil pessoas no Brasil vivam com o HIV ou já tenham desenvolvido a Aids. E quantos desses tiveram acesso à informação e mesmo assim se infectaram? Muitos.
Tem gente falando por aí que só pega Aids quem é burro, já que a informação está na cara de todo mundo. Certamente burrice não é o motivo, talvez o problema esbarre num aspecto mais comportamental.
Quero dizer que a gente vê a Aids como algo muito distante, mas na verdade ela pode estar na próxima balada ou no próximo gatinho fofo.
Alarmismo? Não. Só acredito que precisamos retomar a noção de “causa e conseqüência”. A geração “oba-oba” não cola mais, hoje somos super responsáveis por nossas vidas e pelo futuro.
Alguns não pensam muito antes de transar sem camisinha, é a necessidade do “prazer agora”, do “sexo urgente”, do “sim, eu transo muito”. O imediatismo está nos condenando. Vende-se que é preciso viver tudo hoje e de forma rápida ... E é aí que rolam grandes enganos ...
Conversei com alguns profissionais super feras no assunto e trouxe vários toques pra vocês. São eles: Gabriela Ramos Waghabi (infectologista) e Ricardo Martins (psicólogo), ambos do Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS.
Com certeza também aprendi mais um pouco, a gente sempre aprende. Vamos espalhar essas informações por aí, é pra isso que temos blogs!
Super beijo não transmite Aids Se você tem medo de pegar Aids com um beijo, sossegue. Pode rolar risco de contágio se houver sangramento na boca, mas ninguém vai beijar outra pessoa nessa situação, não é? De qualquer forma, não há registros de transmissão do HIV apenas pelo beijo na boca, mesmo que seja um super beijo. O HIV pode ser encontrado na saliva, porém as substâncias encontradas na saliva são capazes de neutralizá-lo. Outras práticas como fumar o mesmo cigarro e tomar água no mesmo copo não oferecem riscos.
Sexo oral pode transmitir Aids Sim. O HIV pode ser transmitido pelo sexo oral. Não é regra, mas é situação de muito risco. O recomendado é usar camisinha para o sexo oral também. Contudo, se mesmo sabendo de tudo isso você não quiser usar, sempre evite engolir o esperma. Se tiver algum machucado na boca então ... nem pensar!
Aids não tem cara Pessoa que tem Aids é magra e acabada? Claro que não. Esqueça essa bobagem! Saiba que existem muitos gostosos e gostosas infectados pelo vírus. A coisa funciona mais ou menos assim: uma pessoa pode ser portadora do HIV e nem por isso estar “doente”, ou seja, “apresentar os sintomas” disso, eles são chamados de soropositivo e transmitem SIM o vírus. O visual da pessoa começa a ficar prejudicado quando a Aids efetivamente ataca o sistema imunológico do organismo, daí cai a defesa e a pessoa tem uma doença atrás da outra. A Aids pode demorar um tempão pra se manifestar, coisa de anos.
Se eu transar na segunda-feira e fizer um teste na sexta-feira, já terei o resultado correto? Não. Após exposição à situação de risco recomenda-se uma espera de 3 meses (90 dias) para fazer o teste de identificação. Agora imagina só ficar encanada durante três meses por causa de uma bobeada! É melhor prevenir. Onde fazer o teste? Informe-se pelo Disk Aids 0800 16 25 50 ou nos sites governamentais.
É verdade que existem ótimos remédios contra Aids e que dá pra viver tranqüilamente com a doença? Sim. Existem ótimos remédios, mas não é por isso que você vai botar sua vida em risco, né? Aliás, essa é uma tendência burra – essa sim é burra. Liberar geral só porque inventaram remédio pra doença é loucura. Pra começar o tratamento é caro. Os profissionais de saúde afirmam que existe medicamento gratuito na maioria dos postos da rede pública sim. Mas você está a fim de confiar nisso pelo resto da vida? Além disso, o tratamento não é moleza, pode rolar um monte de efeitos colaterais super desagradáveis, sem falar na rotina rigorosa. E mais, não deve ser muito confortável viver com medo de pegar uma gripe. Então vamos ficar assim: ficamos felizes que as pessoas que têm o vírus possam viver bem com a ajuda desses medicamentos, ficamos mais felizes ainda em saber que a rede pública oferece essas drogas para a população, mas não queremos precisar disso pra viver.
Se eu usar camisinha não corro nenhum risco? Se a camisinha não romper você não corre nenhum risco. Aliás, varias pesquisas com microscopia eletrônica concluiram que o vírus da Aids não passa pela minúscula porosidade do látex. E se o cara não quiser usar camisinha, que ele procure outra. Já para os garotos que acham que camisinha broxa aí vai uma dica: talvez você não esteja sabendo manejar a “criança”. Convide sua mina pra entrar na “brincadeira” e faça disso uma fase legal da transa. Não precisa acender a luz, colocar camisinha, falar do número de infectados no mundo e depois voltar a transar. Use a sua criatividade e não deixe o clima esfriar.
Camisinha feminina é tão eficiente quanto a masculina? É sim, e assim como a masculina, também previne a gravidez. Mas é importante seguir as instruções de uso e respeitar o prazo de validade indicado na embalagem. Não sabe colocar? Aqui você aprende direitinho.
Discriminação não Não julgue quem tem Aids. Cada sabe dos seus problemas, das situações complicadas e fatalidades que enfrentou. Algumas pessoas vivem bem por toda a vida, mesmo sendo portadoras do HIV, outras não. Seja como for, um ombro amigo sempre vai bem! E outra, a pessoa pode ter Aids, mas não precisa “viver aids”, é claro que os cuidados são indispensáveis, mas a vida continua e muitas coisas boas estão aí!
A saber
De 1980 a junho de 2004 foram registrados 362.364 casos de Aids no Brasil. Sendo 69,3% em homens e 30,7% em mulheres.
A proporção entre homens e mulheres mudou radicalmente. No início da epidemia: a cada 16 casos em homens ocorria um caso em mulher. E hoje: a cada 1,5 caso em homem ocorre 1 em mulher. Isso mostra o aumento da epidemia entre as mulheres, uma tendência mundial.
Desde o surgimento da Aids, o constante desenvolvimento de novos medicamentos vem prolongando significativamente a vida dos portadores do HIV ao dificultar a multiplicação do vírus. Os medicamentos adiam o início dos sintomas da doença diminuindo o ritmo da redução das células de proteção do sistema imunológico. Mas, ainda assim, não conseguem eliminar o HIV do organismo.
Situações de risco: relação sexual com parceiros eventuais sem o uso de preservativos; compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente no uso de drogas injetáveis; transfusão de sangue contaminado pelo HIV; acidentes ocupacionais com objetos perfuro-cortantes que contenham material biológico de origem humana e presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV; filho nascido de mãe portadora do HIV - quando não foi feita a prevenção de transmissão para o bebê - ou que tenha sido amamentado.