Quem vive em grandes cidades hoje em dia sabe que, ao botar os pezinhos para fora de casa, automaticamente corre uma série de riscos. Ao trancar a porta e sair, ficamos em estado de alerta: pessoas estranhas que se aproximam, carros enlouquecidos que brigam por um mísero centímetro de espaço (mesmo que para isso passem a uma distância obscena do seu corpo), nuvens que ameaçam desabar num dilúvio e travar a urbe toda, impedindo a volta ao lar.
Mas há um espaço fora de casa que me deixa mais nervosa que tentar atravessar o movimentado cruzamento paulistano da avenida Rebouças com a Henrique Schaumann a pé, e mais apreensiva que estar dentro do carro com uma chuva de verão caindo sobre a Marginal Tietê. São os famigerados banheiros públicos.
Eu tenho neurose de banheiro. Acho que qualquer coisa de terrível pode acontecer a qualquer minuto, naqueles cubículos mal-separados uns dos outros. Acho que é porque banheiro é lugar de coisas íntimas demais para se realizarem num espaço compartilhado com gente que você nunca viu.
Afinal, o cômodo azulejado cheio de equipamentos hidráulicos é naturalmente um local de completa vulnerabilidade. E se qualquer coisa fora do planejado acontecer, fica difícil resolver a situação – especialmente se você não está em casa.
Será que isso acontece só comigo e é hora de procurar um psicólogo? Ou eu não sou a única pobre alma que, ao usar um WC fora de casa, teme intensamente...
Ficar trancada lá dentro Desde que tive a desagradável experiência de ficar presa num banheiro na companhia de uma cobra d’água, há muito tempo numa casa de praia, o trauma se sedimentou. A bem da verdade, esse caso é tão velho que nem me lembro se aconteceu mesmo ou se sonhei. Mas não importa: gritar “ei, abram aqui!” é mico suficiente para justificar a paúra.
Encrencar a descarga Imagina só aquela água subindo, subindo, subindo até transbordar pelo vaso, enquanto você, desesperado, não sabe se corre ou se tenta estancar a enxurrada com papel higiênico – o que não adiantaria, mas ao menos criaria uma massa enorme de papel machê. É um de meus piores pesadelos.
Esquecer a porta destrancada Nem precisa ser muito aluada. Na maioria das vezes, as maledetas portas dos cubículos são desprovidas de trancas mesmo. Aí, você fica naquela contraproducente posição: tem de se esforçar para, a um só tempo, mirar o vaso (sem sentar, caso você seja menina) e segurar a porta. É muita dificuldade para um simples xixi!
Descobrir que não tem papel Nesse caso, temos duas possibilidades. Se foi, como citado acima, um simples xixi, basta dar uma balançadinha. Não é uma coisa bonita de se ver, mas na falta de um rolo, fazer o quê? Já se seu uso do banheiro foi para aquele segundo tipo de alívio, aí você está em seríssimos apuros e vai ter de gritar algo pior do que “ei, abram aqui!”.
Usar sabonetes líquidos Refiro-me aqui àqueles detergentes de côco terrivelmente diluídos, que alguns banheiros públicos oferecem à guisa de sabonete. Humpf. Como se aquilo fosse mesmo feito para lavar as mãos. A infeliz substância não faz espuma, não importa quantos litros você use, e mesmo assim imprime nas mãos, por dias, um cheiro de sabão em pedra. Horror, horror.
É impossível ler um só é um livro divertidíssimo das Garotas que dizem Ni que combina na dose certa humor, inteligência, emoção e irreverência.