Tenha um verão feliz e sem nóias com o corpo!
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No Renascimento as brancas e barrigudinhas eram as mais lindas, no século 19, era necessário ter um quadril mais larguinho para poder ser considerada gatinha. Nos anos 20, os cabelos tinham de ser curtos e os seios pequenos e foi só nos anos 40 que surgiu a mania do bronzeado. E todas as branquelas que até então reinavam, foram substituídas pelas douradas de sol.

Estar bronzeada pode ser lindo, mas é preciso se cuidar. A dermatologista Tânia Maria Faria diz que o sol faz muito mal e que a gente não deve se expor apenas por modismo. "O sol envelhece, dá rugas, abaixa a imunidade", diz a doutora.

Juliana Franco, de 23 anos, gosta de praia, mas ela é super branquinha e por isso sofre muito no verão. "Não posso ficar muito no sol e tenho que ir para praia no horário em que o sol é mais fraco. Só que nunca acordo cedo, então, vou lá pelas 11h e fico até às 2h, só que passo protetor o tempo todo e não entro muito na água", diz Juliana. Ela usa protetor fator 30 todos os dias mesmo no inverno. "Quando eu era adolescente não gostava muito de ser branquela, tentei me bronzear e percebi que não dava certo. Hoje eu fico feliz em ser branquinha e me cuido bastante para não ficar vermelha. Meu namorado me acha linda! ".

As irmãs Isabella e Camilla Pinho de Campos, de 21 e 22 anos, também são branquinhas, mas não vão à praia de jeito nenhum. "Meu pai já teve câncer de pele e eu sou muito clara, por isso não vou à praia", conta Isabella. Camilla é mais radical. "Não tenho nem maiô nem biquíni", ela diz. O calor também faz mal a Camilla, ela tem enxaqueca que piora muito no verão. Além tudo isso, Camilla é loira e se cabelo fica verde com o cloro – portanto, piscina nem pensar!

A dermatologista dá dicas para quem tem a pele como a da Juliana, da Isabella e da Camila. "Sempre procure comprar filtros com dióxido de titânio e óxido de zinco que são substâncias brancas que protegem a pele porque refletem a luz. O filtro deve ser aplicado meia hora antes de sair no sol e reaplicado a cada duas ou três horas", aconselha a doutora. Uma outra dica muito interessante – e supernatural – é não tomar banho antes de ir à praia. "A pele possui uma secreção da glândula sebácea que protege contra o sol e é germicida, portanto, previne contra micoses."

No entanto, não são só as branquinhas que sofrem no verão. As gordinhas – ou melhor, as que se acham gordinhas – também ficam cheias de neuras quando chega essa estação em que todo mundo anda seminu. É o caso de Anita Ronzi, de 24 anos, que não ia à praia se não estivesse de maiô e camiseta! "O que me ajudou a desencanar foram as minhas amigas que não ligavam para isso e a lipo que eu fiz na barriga", conta Anita. Ela diz que seus pais incentivaram sua operação que acompanhou uma mamoplastia para diminuir o tamanho dos seios. O caso da Anita é realmente extremo, ela se sentia muito mal com seu corpo e agora aprendeu a se aceitar. "Eu faria tudo de novo, talvez, menos a lipo que dói muito."

Já Flávia Machado, de 20 anos, não está nem aí para o que os outros pensam. "Eu tenho certeza que sou gorda. E gosto de praia como todo mundo. Quem é gordo e branco não pode ir à praia?", diz, indignada. Flávia se irrita com o povo "modelete", como ela mesma define as pessoas que vivem se preocupando com a boa forma. "Você chega na praia e está todo mundo igual, comendo a mesma comida, as meninas todas de chinelo de salto. Algumas são tão siliconadas que bóiam no mar. Se você não é como eles, está fora do grupo", desabafa. Ela conta que uma vez foi para a praia com uma amiga e elas conheceram uns carinhas por lá. Foram almoçar e ela pediu uma cerveja. "Eles ficaram tão indignados que parecia que era a pessoa mais sedentária do mundo", diz.

O Dr. José Augusto Teixeira, psiquiatra de São Bernardo do Campo, explica que o tipo de cultura em que nós vivemos é voltada para o exterior das pessoas e não para o interior. "Nós damos muita atenção para o que temos, o que vestimos. O adolescente se envolve com isso mais do que os adultos e busca o ideal do que está na moda", diz Dr. José. O médico também alerta para as meninas que estão insatisfeitas com outras coisas de suas vidas e transferem isso para a preocupação com a beleza. Ele aconselha as gordinhas a praticarem exercício e terem uma dieta balanceada, não para ficar neurótica com o corpo, mas para serem saudáveis. "O interior é que conta quando a gente conhece alguém, e, além disso, que mal há em ser gordinha?", questiona ele. Às branquinhas, o médico diz que não devem se preocupar, afinal, elas vão até se sobressair no meio de tantas bronzeadas. E ele brinca: "As meninas devem pensar: se meu verão é um inferno, meu inverno será o céu".

Ninguém é perfeito – todo mundo tem estrias, flacidez, celulite -- e deixar de se divertir no verão porque você acha que os outros vão notar é besteira. Afinal, estamos todas sujeitas a defeitinhos que acabam fazendo com que nos diferenciemos uma das outras.



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