As quatro estações da vida
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É irritante a obrigação que diz que temos de estar “bem, obrigado”.  Estado permanente de graça e alegria é ilusão. Emendar um final triste de um namoro apaixonado em novos namoros lambedores de feridas não me parece sincero.

Perceba como as estações da natureza refletem os períodos de luz e sombra de nossas vidas. A primavera permanente não existe e, mesmo querendo, a gente não consegue colher frutos o ano todo.

As quatro estações estão aí, na vida de todos: renovação, totalidade, colheita e repouso... então tudo recomeça. Quem nunca passou por um período de aparente estagnação onde tudo congela? Durante este tempo, nada parece acontecer ou crescer dentro de nós.

Alguns acontecimentos tristes e difíceis são inevitáveis. É no vazio, no quarto escuro e solitário, que conseguimos entrar em contato com o mais íntimo de nós.

Aceitar os invernos da vida e mergulhar neles de forma consciente – nada a ver com conformidade – garante uma primavera colorida.

Nem sempre é possível ter o controle. Às vezes somos tão vulneráveis quanto as flores que estão expostas ao tempo. Nos dias de chuvas fortes, o vento detona suas pétalas, e ela, coitada, nem pode fugir. Quando a gente menos espera, a flor desabrocha novamente... Linda, exuberante, surpreendendo até os mais otimistas.

Se você está passando por um outono/inverno, tenha calma. Ninguém ganha sempre, nem os que dizem que ganham.

Crescer é uma longa jornada repleta de luz e sombra. Como nos mais belos quadros, a mistura dos dois elementos faz da obra final a representação da perfeição, que nem sempre é perfeita.

Na dúvida, silencie.


Leitura:

As cinco coisas que não podemos mudar...
e a felicidade que encontramos ao aceitá-las

David Richo – Editora Arx





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